Opinião
As consequências .
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Pablo Neruda escreveu: “Você é livre para fazer suas escolhas, mas é prisioneiro das consequências”. O atual Presidente da República, tendo em sua biografia 8 anos de governo e voltando ao poder pelas urnas, enfrentou de início uma tentativa de golpe de Estado, cujas investigações da Polícia Federal (PF) e Ministério Público Federal (MPF) incluem um ex-capitão que conseguiu envolver uma fração da alta oficialidade das Forças Armadas que o cercavam, segundo aponta a PF.
Esse é um desgaste lamentável (e evitável) para as Forças Armadas, que tiveram um comportamento legalista desde a redemocratização. O ex-capitão encheu o governo de oficiais, botou um general da intendência no Ministério da Saúde, combateu as vacinas e exaltou a cloroquina. Prenunciando apocalipses, teria manipulado generais para desafiar o resultado eleitoral, alegando dúvidas quanto à lisura das urnas eletrônicas. Tamanho foi o descalabro que um ajudante de ordens se tornou figura proeminente e achacou oficias superiores. Isso só aconteceu, e em escala menor, nos governos de João Goulart e João Batista Figueiredo.
Essa desordem desembocou nas aglomerações golpistas nas portas dos quartéis e na armação mambembe de um golpe de mão contra o resultado eleitoral e na vandalização das sedes dos três Poderes, no 8 de janeiro. O que as investigações da PF demonstram é que teria havido quebra da hierarquia militar, ruptura da rede de comando e achaque aos oficiais superiores do Alto Comando que se mantiveram majoritariamente ao lado da legalidade. Felizmente, as investigações vêm dando nomes aos “bois”.
A maioria dos oficiais do Exército não deve ter votado no atual presidente. Mesmo assim, se manteve ao lado da legalidade. Para separar o joio do trigo, é indispensável que as investigações prossigam, com isenção e transparência, cheguem aos responsáveis e a Justiça cumpra com a sua missão, para que se evitem outras tentativas golpistas no futuro.
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O relacionamento entre o governo e as Forças Armadas precisa ser de respeitoso profissionalismo, com ocorreu nos governos civis de Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso e do atual presidente.
José Ortega y Gasset escreveu: “Muitos homens, como as crianças, querem uma coisa, mas não as suas consequências”.