Opinião
A Arquitetura do Caos: O Perigo das Redes Sociais
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Em 2017, um grupo muito ativo nas redes sociais nos EUA, o QAanon, denunciava a “Elite do partido Democrata por tráfico internacional de crianças, pedofilia e de ser composto por comunistas que queriam dominar o país”. Por mais inverossímil, aquilo prosperou e explodiu com as “notícias’ de que a eleição de Biden tinha sido fraudada. Como resultado, ocorreu a invasão do Capitólio em 06/01/2021 e, 3 anos depois, existe a maior investigação da história do Departamento de Estado, ainda sem prazo para encerrar, com mais de mil denunciados e mais de 250 presos por Terrorismo Interno.
Aquele foi um exemplo do resultado do uso das Teorias da Conspiração, da desinformação e das fake news nas redes sociais. É difícil entender como existindo tanto conhecimento disponível e há tanta ignorância, o que cobra espaço para estudos e publicações, como no livro “Os Engenheiros do Caos”, de Giuliano Da Empoli, que disseca o mal uso das redes sociais, o que alçou-se às maiores preocupações humanas, como vimos pelo que aconteceu no Brasil durante a pandemia de Covid-19 e no pós-eleições de 2022.
A literatura internacional e a ciência explicam porque as pessoas adentram esse caminho tortuoso. O psicólogo Peter Ditto, da Universidade da Califórnia, “detecta entre esses adeptos insegurança, ansiedade, sensação de desordem pessoal. Eles buscam inimigos imaginários e aceitam explicações de conspirações que os culpem.Têm imensa dificuldade para lidar com o fracasso, uma ocorrência inevitável à condição humana. São imaturos e aceitam explicações de conspiração que culpem outros”.
Emilly Thorson, da Universidade de Syracuse, expõe os “Ecos de Crença”, que é a resposta obsessiva e emocional às (des) informações que podem se perpetuar até mesmo após a constatação de que são falsas e os fazem defender causas não comprovadas e absurdas, como o uso medicações ineficazes em pandemias mortais. O Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MITT) trabalha com o “Viés de Confirmação”, que é a tendência da pessoa a aceitar informações que confirmem suas crenças preexistentes mesmo que sejam falsas, pois assim evitam a ansiedade e conflitos pessoais.
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A propagação de notícias falsas assume uma conotação de gratificação pessoal. Cada vez que propagam uma fake news, isso lhes dá mais uma dose de dopamina na circulação, e quanto mais a disseminam, mais ficam entusiasmados. A exposição frequente e repetida às fake news torna-se uma dependência emocional. Estudos mostram que as notícias falsas se espalham com uma velocidade mil vezes maior do que as verdades. Mas isso não é espontâneo. Por trás, existe malandro manipulando e ganhando dinheiro com essas milícias digitais. O Centro Universitário Cesmac, em sua Extensão, abre suas respeitáveis portas no dia 6 de março para debater essa questão, uma das mais importantes da atualidade.