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Opinião

Ant�tese esclarecedora

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| Ana Dayse Rezende Dórea * Duas reportagens publicadas recentemente por esta Gazeta de Alagoas apresentam realidades díspares, frente e verso de um cenário em nada animador, o qual rejeita como alento medidas que não representem, de fato, intervenções consistentes rumo ao desenvolvimento. E esta dualidade, primeiramente, mostrou-se em sua face vergonhosa com a publicação de notícia sobre o Índice de Desenvolvimento Juvenil (IDJ), estudo que apresentou um raio X da juventude brasileira feito com base em dados nas áreas de educação, saúde e renda. A pesquisa revelou que Alagoas foi, entre os 27 Estados brasileiros, o que registrou o pior IDJ: nossos jovens vivem em famílias com a menor renda per capita nacional; são os mais vitimados pela violência em homicídios ? entre 100 mil, 138 são assassinados; e tem o mais precário acesso à educação. No outro extremo, noticiou este jornal um feito impulsionado por políticas públicas e por esforços pessoais. A narrativa contou a saga de José Ronaldo Pereira, primeiro aluno da Ufal em seu Campus Arapiraca, pólo Penedo, a ser selecionado para participar de um intercâmbio internacional. Jovem humilde da zona rural do município ribeirinho, José Ronaldo enfrentou variadas adversidades até ingressar no ensino superior público e gratuito. O sucesso do aluno de Engenharia de Pesca e a conquista da bolsa de estudos que vai levá-lo a Portugal é em muito resultante de seu empenho próprio, o qual nos honra, emociona e estimula. Entretanto, para que esta oportunidade se viabilizasse, necessário se fez a Ufal se interiorizar. Foi preciso desconcentrar geograficamente a instituição para que José Ronaldo tivesse, ao seu alcance, oportunidades que há anos são negligenciadas para a maioria dos jovens em nossa terra. Antítese esclarecedora, o quadro de exclusão retratado pelo vexatório IDJ alagoano e a grandiosa história de José Ronaldo nos indica que o investimento público em educação é um dos passaportes para dotar nossa juventude do conhecimento indispensável à cidadania. A experiência de interiorização da Ufal, iniciada em 2006, já se mostra valiosa. Até 2010, com a implantação do Campus Delmiro Gouveia e do pólo Santana do Ipanema, nossa universidade reforçará a luta por reverter os péssimos indicadores sociais alagoanos. Entre os beneficiados, milhares de José Ronaldos, meninos-homens do interior que têm o direito ter seus sonhos realizados. (*) Reitora da Universidade Federal de Alagoas (Ufal).

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