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Opinião

Pontos singulares

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| Vinícius Maia Nobre * Seja qual for o aglomerado urbano, torna-se conhecido e marcado por certas características físicas ou acidente geográfico. Quando ouvimos falar sobre o Rio Sena, a Catedral de Notre Dame, Torre Eifel, Arco do Triunfo, somos logo remetidos à Paris assim como nos transportamos para o Rio de Janeiro quando são citados o Cristo Redentor, Pão de Açúcar, Copacabana, Ipanema, Maracanã e outros atrativos da Cidade Maravilhosa. Poderíamos citar muitos pontos singulares ou de referência de outras cidades e paramos aqui para perguntar: o que marca mais em nossa Maceió e arredores? Uma grande maioria com certeza responderia que são suas enseadas de rara beleza e o seu inconfundível complexo lagunar formado pela Mundaú e Manguaba, inúmeros canais, manguezais e ilhotas. No passado, o Gogó da Ema ? coqueiro que ficou famoso com seu caule curvilíneo situado na Ponta Verde ? foi sem dúvida uma referência dos que nos visitavam e pelos casais de afoitos enamorados que para aquelas bandas desertas iam trocar juras de amor. Abatido pelo avanço do mar, resta-nos preservar trechos de praia atingidos por esse fenômeno que tanto preocupa a todos nós. Proteções em pedras soltas ou mesmo gabiões não vêm surtindo o efeito que se imaginava. Vêm-nos à memória soluções já adotadas aqui mesmo no Brasil e outros lugares do mundo: a ?engorda? das praias com aterro de areia retirada do próprio leito do mar. No governo Carlos Lacerda, o Rio foi beneficiado com o grande aterro do Flamengo, que trabalhado por Roberto Burle Marx, transformou-se num dos mais belos jardins do mundo. A obra de dragagem da baia de Guanabara foi precedida de rigorosos estudos em laboratório de engenharia hidráulica e oceânica, os quais em modelo reduzido, foram estudados e definidos todos parâmetros básicos para sua execução. Vale lembrar que já se aproxima de 50 anos de vida útil sem alterações importantes do seu projeto original. Imaginamos toda a praia de Cruz das Almas até às cercanias do porto na extremidade da enseada da Pajuçara com uma obra dessa natureza. As praias seriam desassoreadas permitindo dessa forma, uma melhor circulação das correntes e, com certeza, impediria a agressão que se verifica no momento em partes da orla. Desafogaria também o já congestionado trânsito com a possível duplicação da avenida que margeia toda a praia, prevenindo também o aumento de fluxo de veículos quando concluído o viaduto da Mangabeiras. Sonhar vale a pena! (*) É engenheiro.

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