Opinião
Isen��o necess�ria - Editorial
Uma nova semana se inicia na expectativa de que alguma boa novidade possa ser conhecida em relação aos desdobramentos da crise desencadeada pela Operação Taturana. Pelo noticiário da semana encerrada ontem, a crise se alastrou da Casa Tavares Bastos (que não emite sinais de intranqüilidade) para as entidades e lideranças dos movimentos sociais (que não emitem sinais nem de unidade nem de firmeza no enfrentamento dessa grave questão). Infelizmente, a única proposta concreta discutida pelas entidades representa um retrocesso perigoso no encaminhamento da crise. A idéia de realização de uma auditoria comandada pela própria Mesa Diretora da Assembléia e contando com a participação de representantes dessas entidades é um recuo escancarado em relação à proposta inicialmente apresentada pelo próprio presidente do Poder Legislativo, quando o primeiro ponto apresentado de uma lista identificada como ?medidas moralizadoras? estipulava uma auditoria comandada por técnicos independentes, indicados pelo Tribunal de Contas da União. Aí está o fulcro da questão: mesmo que não seja o TCU, o essencial é que a auditoria nas contas da Assembléia Legislativa de Alagoas seja realizada por instituições desvinculadas das teias de relações políticas, pessoais e familiares que naturalmente envolvem os acusados pelo assalto de R$ 200 milhões e lideranças de entidades alagoanas. Sem a preservação desta independência explícita, quaisquer auditorias serão marcadas pelo descrédito. Além do resgate da proposta inicial da presidência da Assembléia (auditoria independente), será da maior importância prestar-se a devida atenção aos alertas do experiente procurador-geral da Casa Tavares Bastos, advogado Mendes de Barros. Quem está sob suspeita não pode conduzir investigações.