Opinião
Obras ao relento - Editorial
Alagoas é mesmo uma terra de contrastes: ao mesmo tempo em que esvaem-se cerca de R$ 40 milhões por ano em folhas fantasmas, faltam recursos para conclusão de obras públicas importantes, cujos ?esqueletos? envelhecem ao sol. Tudo impunemente. Tema da manchete do domingo, o abandono de obras públicas em Alagoas, infelizmente, parece ser uma doença crônica. Conforme resumido na chamada de primeira página de nossa edição do dia 13 de janeiro deste ano, ?estradas, pontes, escolas, universidade e até um IML estão à espera de conclusão?. Cara espera. Pois como sabemos, o efeito do tempo naturalmente vai corroendo essas estruturas abandonadas. Sem uso, inacabadas, essas obras interrompidas se deterioram com mais rapidez do que se estivessem sendo usadas. Recomeçar cada uma dessas obras significa ir além do orçamento inicial, pois é certo que sobrevieram danos causados pela simples e inexorável ação da natureza sobre as todas coisas. Pagaremos mais por obras que demoram além da conta. Isto é mais um problema ético a aviltar o serviço público. De quem é a responsabilidade pela interrupção de tais empreendimentos? Que ônus recairão sobre os responsáveis por mais esse dano ao erário? Ou tudo ficará como dantes no quartel de Abrantes e o povo, os contribuintes, arcarão (silenciosos) com mais esse prejuízo? Infelizmente, torna-se também moléstia crônica o esquecimento sobre as responsabilidades (penalidades nem se fala) daqueles que manipulam projetos e verbas públicas com descaso ou com premeditada intenção de gerar novos dispêndios para velhos projetos. Só falta alguém propor que os responsáveis por tal descaso contra o erário conduzam, eles mesmos, auditorias ?rigorosas? sobre estas obras jogadas fora.