Opinião
Uma chance perdida - Editorial
Considerados pelos ecologistas como um dos tesouros da biodiversidade, os manguezais alagoanos tem sido inapelavelmente castigados. Surge no horizonte dos financiamentos públicos, porém, uma nova chance de recuperação dessas áreas. Cerca de R$ 40 milhões estão sendo anunciados, pelo governo federal, para liberação ainda neste ano. Cinco áreas de mangues, situadas nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste, devem ser beneficiadas nesta primeira leva de financiamento. Nossos fantásticos mangues, tão dilapidados, estarão incluídos nesta lista? Numa rápida leitura das áreas escolhidas não se distingue endereços de manguezais alagoanos. Segundo informado pela imprensa especializada, serão alcançados pela primeira leva de financiamento as seguintes localidades: Reentrâncias Maranhenses, Delta do Parnaíba, no Piauí, estuário do Rio Mamanguape, na Paraíba, Mosaico de Unidades de Conservação do litoral de São Paulo e Paraná e Reservas Extrativistas Marinhas do Pará. O que faltou para que este Estado, salpicado de lagoas (e mangues) a tal ponto que essa abundância foi vertida no próprio nome, ficasse de fora desta iniciativa de socorro ecológico? Inação política? Desleixo das entidades conservacionistas? O que pode explicar essa exclusão? Tomado o primeiro gol, ainda é tempo de correr para virar o placar. A bola está com os poderes públicos e com as entidades dedicadas à defesa do meio ambiente. Alagoas não pode se acanhar em protestar, em lutar contra esta exclusão. Antes abundantes na maioria dos ecossistemas formados pelos rios e lagoas, os mangues alagoanos, vítimas do descaso, definham frente às investidas mais variadas. É hora de se dar um basta a esta devastação. Recursos existem. Precisa existir vontade política de desatolar-se do marasmo.