Opinião
Ser feliz virou obriga��o
| José Medeiros * Na esteira do tempo já se passaram 15 dias... Recordo, com prazer, a noite da virada do ano: alegrias, promessas de mudança de vida, abraços, votos de felicidade, congratulações, emoções e esperanças. As sementes das promessas de mudança de vida feitas naquela noite, em sua maioria, já não são lembradas. Ouvi de um amigo esta expressão: ?Ser feliz virou obrigação?. Não perguntei por quê. Durante a madrugada recordando essas palavras, fiz delas uma autodescrição: viver melhor em 2008, tentar melhorar a qualidade de vida. Por que não começar com um bom período de férias à beira mar, no campo? Ou viajar, descansar, aproveitando os bons momentos que a vida nos proporciona? Penso sempre no velho calção de banho, na imensidão do mar de cor indescritível, num verão que não tem pressa de acabar. Como diz o mestre Bertoldo Kruse: ?Vivemos numa sociedade que não ouve os apelos mais profundos do coração, para que a vida tenha um sentido mais amplo. Devemos praticar o que cobramos dos outros. É necessário revitalizarmos os valores espirituais, nos impregnarmos de expectativas otimistas, numa outra visão da condição humana. Assim seremos felizes?. Um dos bons propósitos que vale a pena persistir é cuidar melhor da saúde, conscientizar-se do crescimento da expectativa de vida. Com a possibilidade de uma vida mais longa é preciso preparar-se, desde cedo, para poder viver uma velhice saudável. Trabalhos sem excessos, alimentação gostosa que não seja nociva, lazer, prática de atividades físicas, valorização da família, da religião e da espiritualidade. Aprender a conviver melhor com a espécie humana. O tempo é inexorável, ninguém escapa da ação do tempo. Ainda não se descobriu o segredo da eterna juventude. A medicina é o ?antitempo?. A descoberta das vacinas, dos antimicrobianos, da engenharia genética, os avanços da cirurgia, da tecnologia aplicada a métodos de diagnóstico, da prevenção, da medicina ortomolecular etc.; contribuíram para dobrar o tempo de vida. Entretanto, há muito mais por fazer. É difícil explicar porque ainda somos vitimados pela dengue, febre amarela, cólera, tuberculose, hepatite C; e por uma gama de outras doenças, moléstias e enfermidades que já deveriam ter sido colocadas no abismo do esquecimento. É justo prolongar ao máximo uma vida saudável. Por isso, a medicina é, sem dúvida, o ?antitempo? que tenta atrasar a ação deletéria dos anos que passam e maltratam. (*) É médico e ex-secretário de Saúde e de Educação.