Opinião
Avers�o ao risco
| Geoberto Espírito Santo * O reservatório das hidrelétricas começou janeiro com o nível mais baixo desde 2004 porque o fenômeno climático La Niña reduziu a intensidade das chuvas no último trimestre de 2007. Nesse ano, só choveu 47% da média histórica no Sudeste-Centro-Oeste, 49% no Norte e 45% no Nordeste. As chuvas fracas podem levar os reservatórios a níveis perigosamente baixos e, se isso acontecer, as termelétricas serão acionadas para poupar água. As usinas hidrelétricas produzem energia com um custo mais baixo que as termelétricas e entram em operação por essa ordem de mérito. Se o volume da água diminui, aumenta o custo do líquido ainda armazenado, metodologia chamada de Custo Marginal de Operação (CMO). Os reservatórios vão baixando, os custos vão aumentando e o nível considerado de risco é determinado por um mecanismo chamado de Curva de Aversão ao Risco ? CAR, que define o percentual mínimo de água nos reservatórios ao longo do ano. Quando este nível é atingido, as térmicas entram em operação. A situação do Nordeste é a mais dramática. Mesmo sem atingir a CAR, três medidas preventivas estão sendo adotadas para estabilizar Sobradinho, responsável por 60% da energia do Nordeste, que está com apenas 18% da sua capacidade de armazenamento. Estão transferindo para cá 1.300 MW do Sudeste-Centro-Oeste e 300 MW de Tucuruí, no Pará. Outra decisão foi o acionamento de seis térmicas, das quais três a gás, na Bahia e em Pernambuco, para produzir 600 MW médios. A Chesf já pediu autorização ao Ibama para reduzir sua vazão de 1,3 mil metros cúbicos por segundo para 1,1 mil. Por não existir gás natural no Brasil, esse tipo de térmica está gerando 2.170 MW e poderia gerar 7.770 MW. Nesse contexto, o Ministro de Hidrocarbonetos boliviano, Carlos Villegas, afirma que o país andino não poderá atender integralmente os contratos de fornecimento de gás para o Brasil e a Argentina. No nosso caso, não serão enviadas as quantidades negociadas com a Congás (SP) e para uma térmica em Cuiabá, que já está parada a mais de 90 dias. Já sabemos que não existe gás natural para mover simultaneamente as termelétricas, as indústrias, as residências, o comércio e a frota de veículos. Até 2012, esta situação não vai se resolver e esta é a grande oportunidade para o uso do bagaço de cana e da energia eólica aqui em Alagoas. O preço de venda da energia está bom e existe segurança contratual, mas falta a decisão de investir. (*) É professor da Ufal.