Opinião
Valor estrat�gico - Editorial
Publicada numa revista semanal de grande circulação no Brasil, o começo da notícia tem a cara de matérias ultranacionalistas que, há tempos, circulavam em panfletos (de esquerda e da direita). A reportagem em questão afirma que água da Amazônia será exportada e vendida nos Estados Unidos. Que interpretações advirão dessa (re)leitura sobre a apropriação de riquezas brasileiras? A história seria mais ou menos a seguinte: um empresário americano, conhecedor do Brasil amazônico, decidiu investir na prospecção de água no subsolo daquela região. Depois de examinadas em laboratórios dos Estados Unidos, amostras confirmaram mais ou menos o óbvio: a água é puríssima, melhor que a melhor das minerais. Envasada, a água amazônica chamar-se-ia ?Equa? no mercado americano (quererá dizer este nome ?ecológica água? ou outra redundância ululante?). Segundo a reportagem ?A Equa chegará ao mercado americano em abril do ano que vem, ao custo de US$ 8 a embalagem de 750 mililitros(...)?. Uma série de perguntas técnicas e estratégicas são colocadas, mas algumas das principais interrogações produzidas a partir desta notícia seguem sem respostas. A primeira delas diz respeito ao valor comercial da água num mundo onde esse produto é reconhecido cada vez mais como preciosidade. Esta questão extrapola a simples definição de preço. O essencial é o Brasil tomar consciência do valor estratégico da água. Como fonte primeira da vida, a água é um bem ? em certa medida ? de preço intangível, infelizmente ?desvalorizado? durante séculos por conta da ignorância humana. A partir daí é simples compreender-se que o preço da água será fruto das estratégicas de quem tiver força e competência para implementá-las. É simples entender, portanto, que o Brasil está prestes a perder mais um de seus tesouros.