Opinião
A corrida aos postos - Editorial
Nada poderia ser mais emblemático do sentimento de vulnerabilidade dos brasileiros frente à política de saúde pública que a corrida aos postos de vacinação em busca da vacina contra a febre amarela. A rigor, não haveria necessidade para tamanho corre-corre fora das áreas de risco. A própria fala do ministro da Saúde, em rede nacional de rádio e TV, bem que tentou dizer mais ou menos isso. Mas o sentimento de insegurança e ausência de proteção do povo em relação as políticas públicas de saúde não possibilitaram outra compreensão: todos estão vulneráveis à febre amarela. Quem prestar mais atenção ao noticiário deverá perceber que a realidade não é tão dramática, em termos de extensão do risco iminente de ocorrência da perigosa (muitas das vezes, fatal) moléstia. Mas, que segurança pode ter a população brasileira acerca de medidas preventivas governamentais em quaisquer níveis da saúde pública? Há anos falou-se que a dengue estaria sob controle. Nada mais falso. A doença, com altos e baixos nas estatísticas, recrudesceu inclusive em sua forma mais perigosa, a hemorrágica, e não demonstra disposição para atender aos apelos das autoridades para que suma do cenário. Esse é um quadro em permanente agravamento há mais de 10 anos. E quem transmite a recorrente dengue? O mosquito Aedes Aegypti. E quem transmite a febre amarela? O mosquito Aedes Aegypti. E o mosquito Aedes Aegypti multiplica-se livremente por todo país. Não existe nenhuma informação segura sobre as possibilidades (mesmo futuras) de controle deste vetor de moléstias. Daí, como esperar que o povo reaja quando se tem conhecimento que a febre amarela está ceifando vidas em algum lugar? Órfão de políticas sérias para a saúde, ao povo resta correr à seringa mais próxima. Quem confia nas declarações oficiais?