loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

N�o leia este artigo!

Ouvir
Compartilhar

| Wagner Williams * Não ter se deixado levar por esse título foi um bom começo. Vai prosseguir? Quando você nasceu, programaram-lhe. Impuseram-lhe uma religião, um nome, um vestuário e lhe forçaram um padrão de como ser criança. A sua juventude não foi sua. Certamente restringiram-na a questões hormonais enquanto o meio ditou os seus gostos. Após muita manipulação da música, da (unicomportamental) TV e da publicidade, aí está você lendo artigos ? sinal provável de que atualmente você se desprogramou... As pessoas têm capacidade de transcender as forças externas que incidem sobre elas, as pressões sociais que agem sobre o pensamento e a ação, marca singular de um caráter de autodeterminismo. Nesse sentido, e diferente do que ache, muito do contexto social de Alagoas depende da sua autodeterminação. Você tem competência de refletir, rejeitar e reformular a sua consciência e o mundo, alterando a realidade externa e, por conseguinte, o que dela derivar. E isso pode começar nas urnas eleitorais a colocar na representação pública, quer o de direita quer o de esquerda, os que, com o povo, olham para a mesma direção. Na nossa cultura hodierna não são os pensadores, os artistas, os religiosos nem os líderes pacifistas os ídolos do cinema e sim uma malta bem vestida com armas e morte. Ainda é comum ver entre a criançada pistola d?água, revólver plástico e jogos de guerra em vez de raciocínio; resultado: violência e armas de fogo como sonho de consumo, circulando ilegalmente. Sua intervenção nesse quadro se dá a partir da substituição de uma linguagem impregnada de chavões e verbos que valorizam a violência. Há razões para se selecionar tudo, inclusive os filmes, por rechaça da cultura de violência; e se tem filhos, note que arma de brinquedo não é arma, mas também não é brinquedo. Uma obra do poder público na periferia não demora a quedar no desvalor, e isso só não vê quem não anda em periferia. Desvaloriza-se quando não há participação popular na idealização dela, já que a iniciativa não veio dos moradores. É possível mudar isso. Basta participar comunitariamente para saber que cidadania não é dada; é exercida. É pelo agir que há mudança de realidade; e a sua realidade é este Estado de mal-estar que clama por melhoras. Agora leitor, se achou que tudo isso é balela, saiba então o que não é: você (ainda) não se desprogramou, mesmo lendo este artigo. (*) É estudante de Letras da Ufal.

Relacionadas