Opinião
Quem nos defende? - Editorial
Como a sociedade pode reagir à escalada do crime organizado em Maceió? É evidente que algo precisa ser feito, pois ? apesar do reconhecido empenho da Polícia Militar ? a cada dia, a realidade piora para o cidadão, a cidadã. Há cinco meses, a Polícia Civil leva adiante uma greve interminável. E como se não bastasse a inação grevista dos agentes policiais, os delegados também ameaçam parar. O governo afirma e reafirma que não tem como atender as reivindicações desse segmento, enquanto o secretário de Defesa Social, tranqüilo, garante que tudo está sob controle. Há quem ache que as manchetes da imprensa alagoana estariam exagerando. Afinal, nas primeiras páginas impressas, nos noticiários das rádios, nos telejornais, na internet ? em todos os veículos, enfim, o recorrente destaque, tem sido ocorrências da violência. É o sangue cotidiano correndo. Estaria a mídia exagerando em sua cobertura? Infelizmente, não. A realidade alagoana está aterrorizante. Num dia, uma sargento da Polícia Militar é fuzilada (e descobre-se que ela seria viciada em drogas), no dia seguinte, outra policial, no posto de cabo PM, desaparece. Mais um dia e um dos mais conhecidos e promissores talentos da fotografia artística alagoana, Júnior Gama, recebe um tiro no meio da testa (suspeita-se de assalto, mas a única certeza é o artista gravemente ferido, lutando pela vida numa UTI). Seria justo pensar que se aumentando os salários dos agentes e dos delegados tal situação se reverteria? Pensar assim parece ingenuidade, pois a escalada do banditismo antecede às greves das polícias. Mas, sem dúvida nenhuma, a paralisação da Polícia Civil é um dado importante para ser considerado nesta conjuntura apavorante. Se a polícia não é capaz de enfrentar tal situação e o governo não tem respostas, como a sociedade poderá reagir?