Opinião
Moleque Namorador
| Luiz Barroso Filho * O escritor Ednor Bittencourt, no seu livro de memórias ?Corrupio?, faz um interessante comentário sobre os carnavais maceioenses da sua juventude, nas décadas de 30 e 40 do século passado, referindo-se às figuras marcantes das festas de Momo daquele tempo, entre as quais, o passista Moleque Namorador, com quem aprendeu a fazer o passo e teve a chance de ser tetracampeão dos concursos de frevo do Clube Fênix Alagoana. Ednor considerava-se ?um assíduo aluno do exímio professor Moleque Namorador?, cujo nome de batismo era Armando Veríssimo Ribeiro, nascido no dia 11 de junho de 1919, em São Luiz do Quitunde. Segundo o folclorista José Maria Tenório Rocha, ?ele chegou à capital alagoana em 1926. Veio para vencer e tornar-se o maior passista do Estado, nunca perdendo um só certame?. Moleque Namorador exercia as atividades de engraxate e jornaleiro, e, além de dançarino de frevo, tocava pandeiro e realejo. Sua popularidade atravessou as fronteiras de Alagoas. Ele foi tema de reportagem na famosa revista ?O Cruzeiro?. A vida boêmia de Armando Veríssimo, no entanto, prejudicou sua carreira artística. Usuário de maconha e de bebidas alcoólicas recusou vários convites para integrar o elenco de companhias de teatro de revista do Rio de Janeiro, preferindo mostrar seu talento nas gafieiras e nos prostíbulos da periferia de Maceió. Por isso, em 1961, quando o prefeito Sandoval Caju resolveu homenageá-lo, dando seu nome a uma praça localizada no bairro de Ponta Grossa, foi severamente criticado por grande parte da população e por alguns vereadores da Câmara Municipal de Maceió, como, por exemplo, Rosalvo Siqueira, que se posicionou contrário à homenagem: ?Eu sei que o senhor prefeito colocou esse nome porque quer anarquizar com a nossa cidade. Quase todo mundo conhece bem a vida do Moleque Namorador. Era um rapaz que só vivia de farras, fumava maconha e acabou morrendo aos 20 anos de idade, tuberculoso?. Mesmo assim, a Praça Moleque Namorador foi inaugurada no dia 7 de setembro de 1961. Hoje em dia, o local é considerado ?o quartel-general do frevo em Alagoas?. Um dos personagens mais importantes da história do carnaval alagoano, Armando Veríssimo Ribeiro, o Moleque Namorador, faleceu no dia 8 de maio de 1949, antes de completar 30 anos, vítima de tuberculose pulmonar, em sua residência, no bairro do Prado. (*) É advogado, membro da Comissão Alagoana de Folclore e da Academia Maceioense de Letras.