Opinião
Imagens da alma - Editorial
Causaram profunda comoção as fotografias editadas, ontem, como destaques na primeira página da Gazeta de Alagoas. Numa das imagens, um tecido escuro cobre os seis corpos vítimas de uma chacina (!) ocorrida no bairro Santos Dumont. Noutra foto, choca a constatação numa imagem 3x4 da precocidade da morte de um policial militar, o soldado Dayve André. A mais emblemática de todas, porém, é a cena captada por um amador nos momentos seguintes ao tiro recebido pelo fotógrafo Gama Júnior . O principal significado dessa foto é a ausência do poder público, ao mesmo tempo em que registra a presença da solidariedade popular, expressa, dentre outras coisas, pela atitude de um morador do local a segurar uma sombrinha de mesa, protegendo o ferido do sol do meio da tarde. Digna, forte, chocante. Essa fotografia é, na verdade, uma radiografia social. Retrata o âmago da verdadeira fratura exposta que está a esmigalhar o sistema de segurança pública. Personalidade reconhecida por seu trabalho de artista fotográfico, bem relacionado nas mais diversas camadas sociais, Gama Júnior ? naquela imagem ? representa a alma alagoana em sua dor mais pungente. Em torno dele, o povo simples e solidário faz o que pode para aproveitar a chance que não tiveram os outros seis jovens no Santos Dumont, nem o soldado Dayve. E quantas outras vidas têm sido alcançadas pela mão do crime desenfreado? Entre mortos e feridos, infelizmente, um vínculo pode ser encontrado: a ausência ou precariedade da investigação, a inexistência da prevenção. Afinal, onde está a polícia? Segue em greve. Mas não deveria funcionar 30%? E se assim fosse, será que 30% das vidas seriam preservadas? Imagens chocantes. Mas muito mais chocante é a realidade da segurança pública. Será que as autoridades sentiram-se chocadas?