Opinião
Mundo sem terra - Editorial
Como se não bastassem os perigos (reais e imaginários) decorrentes do aquecimento global, um novo temor começa a ocupar a pauta de discussão ambiental: faltarão terras agricultáveis (em breve!). Cientistas da Universidade de Washington estimam que o planeta esteja perdendo, a cada ano, 1% dos solos férteis, em decorrência da erosão ? ?especialmente a causada pela agricultura?. Informam que a Terra é coberta, em terra firme, por ?um pouco mais de três pés de solo fértil? e alertam: ?a camada superficial, rica em nutrientes, de onde vem nosso alimento, enfrenta uma situação crítica no suporte para a vida?. Numa das formas preconizadas para reduzir os males da erosão, os pesquisadores americanos recomendam o uso de um ?sistema chamado ?no-till?, pelo qual o plantio e a colheita são realizados sem arar a terra, usando-se apenas herbicidas para ervas daninhas, com o objetivo de reduzir a erosão e preservar os nutrientes?. Será mesmo esta uma solução viável, capaz de produzir resultados em tempo hábil? Esses mesmos pesquisadores avaliam que ?o solo fértil não pode ser produzido da noite para o dia. Ele renasce muito lentamente, a um ritmo de uma polegada ou duas em centenas de anos?. Ou seja, estamos destruindo nossos solos férteis a uma velocidade muito maior que o possível de ser reconstruído com as tecnologias mais avançadas de hoje. A lógica é clara: num amanhã desses pela frente, desertos nos privarão dos alimentos básicos para a saúde e sobrevivência. Há muitos anos, um cientista brasileiro, de saudosa memória, o professor Vasconcelos Sobrinho, já alertava para a desertificação galopante. E usava um exemplo óbvio ululante: a expansão do Semi-árido nordestino, causada especialmente pela erosão. Pelo sim, pelo não, é melhor ouvirmos esses avisos dos cientistas americanos e resgatarmos os ensinamentos dos sábios nordestinos.