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Opinião

Com a ajuda dos amigos

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| Marcos Davi Melo * A violência que vitimou o jovem Junior Gama é mais uma página lamentável desta tragédia que assola o País e Alagoas. Conheço-o desde que ele era um garoto; seu falecido pai, Carlos Gama, era nosso companheiro nas caminhadas na orla da Pajuçara. Por essa e por outras, é preciso espairecer, e o desfile pré-carnavalesco de hoje na orla é a melhor pedida. Evoquemos os amigos que ajudaram a consolidar este evento, como a magnífica Anilda Leão, jovem octogenária, que cantou e encantou no coral do Pinto da Madrugada, até que certo dia, maltratada pelo sol causticante do meio-dia e pela intensa emoção, a pressão arterial lhe subiu tanto que saiu no meio do desfile direto para a emergência hospitalar. Outro presado amigo, que apesar de já ter partido, sempre está conosco, é o Zé Aprígio Vilela. Há alguns anos, o Zé Aprígio me procurou; queria conhecer o carnaval pernambucano e em especial participar do Galo da Madrugada junto com a sua esposa Themis. O Zé tinha ficado extremamente impressionado um ano antes, quando no sábado de Zé Pereira, levantando vôo do Aeroporto dos Guararapes, com destino ao Caribe, seu avião sobrevoou o gigantesco Galo da Madrugada. Decidiu com a Themis, naquele momento, que iriam ao próximo, fazer parte daquela extraordinária multidão. Combinamos para irmos os dois casais juntos ao Galo. Acertamos previamente tudo, e no sábado de Zé Pereira, às seis horas da manhã, conforme o combinado, o Zé e a Themis estavam no nosso hotel e de lá partimos para encontrar 1,5 milhão de pessoas no frevo. No Galo, participamos no meio do povo, desde a concentração, nas primeiras horas da manhã até os seus momentos finais, ao anoitecer. Eles ficaram encantados, extenuados, mas felizes. Foi um dia inesquecível. Tanto é, que algum tempo depois, em Maceió, junto com Eduardo, Braga Lyra e Marcial, despretensiosamente, por prazer, fundamos o Pinto da Madrugada. Como precisávamos de apoio, o primeiro procurado foi o Zé Aprígio, e com a sua ajuda e do Tarcísio da Limpel, foi que o Pinto conseguiu sair do ovo. Daí para cá, o bloco só tem crescido. Este ano, fomos agraciados com uma gentilíssima homenagem da diretoria do Tênis Clube, que dedicou um belíssimo baile ao Pinto. Esta tem sido a principal característica do bloco e responsável maior pelo seu crescimento: a generosa colaboração e participação vigorosa dos amigos, junto com a ausência de violência, que têm feito do Pinto da Madrugada, uma grande família e um bloco vitorioso. (*) É médico e professor da Uncisal.

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