Opinião
Seca recorrente - Editorial
Hoje, a semana começa com cerca de 500 mil alagoanos esperando que seja transformado em realidade, urgentemente, o anúncio da liberação de R$ 160 mil para a manutenção do fornecimento de água por carros-pipa nos 33 municípios mais duramente atingidos pela seca no Sertão e Agreste. Dizem que esse dinheiro não virá dos cofres da União. Justamente a parte mais culpada pelo agravamento dos problemas causados pela escassez de água e outros fatores dramáticos reprisados periodicamente nessa área do território nacional. Tudo porque foi suspenso, antes de 2007 acabar, o fornecimento da ajuda financeira às prefeituras para a continuidade deste tipo de assistência às comunidades mais sedentas e carentes. Enquanto isto, ressurgem as notícias sobre o polêmico projeto da transposição das águas do Rio São Francisco. O governo brasileiro passou a transpor verbas para essa temerária iniciativa (perigosa porque não se realizou, antes, a revitalização do rio), insistindo que se trata da melhor solução para milhões de nordestinos sofredores pela falta de fontes hídricas perenes, que serão salvos pelas águas retiradas do ?Velho Chico?. Também reaparecem informações realimentando esperanças acerca do Canal do Sertão alagoano. Mas suas obras, paralisadas durante mais de dez anos e retomadas recentemente, ainda não foram além da primeira etapa. Como muitos anos passarão sem esses e tantos outros projetos começarem a atender às expectativas de seus idealizadores e das populações do Semi-árido, apressemos a definição e a execução das alternativas menos onerosas, menos complicadas. A começar pela preservação (e recuperação) das matas ciliares, rios, riachos, lagoas e açudes. Sem esquecer que a famigerada ?indústria da seca? sofreu abalos, porém não desapareceu.