Opinião
Alegria e folia: por um carnaval sem drogas
| Suzy Maurício * Estamos inseridos em uma cultura de extrema valorização ao consumo, do culto à beleza, das incontáveis tribos adolescentes que vão desde a aparência externa: corte e pintura de cabelos chocantes ou inteiramente raspados, brinco pendurado no nariz, piercings nas sobrancelhas, no umbigo,na língua, tatuagens tribais ou nomes (e até frases inteiras) e figuras que causem impacto, definitivamente, sobre a pele. Com roupas pretas, rasgadas, calças que ameaçam cair, colares pesados de metal, um enorme crucifixo, e na ponta da língua letras musicais do Led Zeppelin, Sepultura e Planet Hemp, que diz ?A coisa certa rapa é que tem que ser feita cabeça feita, pago o que eu consumo, ?si? eu quiser beber eu bebo, ?si? eu quiser fumar eu fumo... Quem é que joga fumaça pro alto?? e também o tão ouvido refrão ?Vamos ?simbora? pra um bar beber, cair e levantar...? de Aviões do forró. Uma apologia às drogas? Uma pesquisa recente sobre o consumo de drogas no Brasil, realizada pela Universidade Federal de São Paulo, mostra que a maconha é a droga ilícita mais consumida no País ? a lícita é o álcool. A cada dez usuários da maconha, um se torna dependente. É uma droga utilizada por todos os níveis socioeconômicos. A maconha pode causar alteração na percepção, memória, euforia, alteração na coordenação motora, agressividade, isolamento social, além de sintomas como boca seca, alteração na pressão arterial, olhos vermelhos, e seu abuso pode ainda resultar em transtornos mentais, além de ser uma droga considerada depressora do sistema nervoso central. Ao falar sobre recreação, o carnaval está chegando, as prévias vêm acontecendo, e em boa parte da moçada, diversão à base de muita bebida e uso e abuso de drogas. Poderíamos nos perguntar: por que o uso de substâncias psicoativas, se o carnaval por si só já é uma festa cultural de alegria e descontração? Por qual motivo as pessoas, especialmente os adolescentes têm de buscar na droga prazeres que em geral a festa produz? A droga antes consumida em lugares inóspitos, tornou-se pública. Entretanto pouco se tem feito para mudar a onda da dependência química. Alagoas tem índices gritantes de consumo de drogas. O uso do álcool em adolescentes e adultos está em primeiro lugar ? sendo a porta de entrada para o consumo de outras tantas, da maconha, do crack, a cocaína, entre outras. Vamos mudar esta situação! Busquemos coisas, situações, pessoas e sentimentos reais. Experimentemos o prazer nas pequenas coisas. (*) É psicóloga clínica.