Opinião
Doidices perigosas - Editorial
Lendo-se com atenção as notícias sobre a segurança pública em Maceió, aflora de imediato a lembrança de Stanislau Ponte Preta e seu famoso Samba do Crioulo Doido. Pois ao mesmo tempo em que os delegados ameaçam fazer greve em pleno carnaval, o bandido mais procurado em Alagoas é preso quando comprava uma camionete blindada (!). Policiais e delegados refutam o decreto oficial reconhecendo o ululante óbvio clima de emergência (não seria calamidade pública?) instalado na segurança. Sem mais delongas, anunciam antecipadamente que não cumprirão o Decreto de Perigo Iminente ? nem voltarão (mesmo temporariamente) ao trabalho, nem muito menos aceitarão cortes dos dias não-trabalhados. Segundo os grevistas, ficam valendo os ?30% de manutenção dos serviços básicos?. E a população pergunta, de mãos para o alto: quais 30%? O que é mesmo 30% de segurança numa realidade 100% insegura? Enquanto segue esta pendência interminável entre governo e policiais grevistas, os bandidos realizam seu mister. E entre um crime e outro, definem a prisão como um curto momento entre uma fuga e outra. E, tranqüilos, não se furtam de fazer suas compras, como o elemento procuradíssimo que, antes de ontem, foi detido no momento em que adquiria (numa loja situada na avenida mais movimentada da capital) um veículo blindado (pagaria à vista, com cartão de crédito ou através de cheque?). Tem razão o suspeito flagrado na revenda de veículos: o melhor é andar de carro blindado em Maceió, pois daqui a pouco, já tendo assaltado tudo de todas as pessoas de bem, os bandidos passarão a roubar uns aos outros ? e estes não poderão dar queixa daqueles, pois até lá, quem sabe, as delegacias não terão voltado com os 70% de funcionamento que faltam. Não parece coisa digna de mais um Samba do Crioulo Doido?