Opinião
Time de aloprados
| Ronald Mendonça * Faz parte de qualquer governo, eleito ou não, arregimentar auxiliares de absoluta confiança para trocar idéias, aconselhamentos ou simplesmente se disporem a ser sacos-de-pancada do chefe. Assim, tivemos na França o polêmico cardeal Richelieu, ministro de Luís 13. O marquês de Pombal, em Portugal, no século seguinte, foi outro notável estadista. Na Rússia, o século 20 ouviria falar no sanguinário Lavrenti Beria, eminência parda de Stalin. Essas figuras colaboraram, dentro do escopo dos seus governos, acho eu, com o que tinham de melhor. Jornalista e procurador do Estado, Antonio Moreira palmilha como poucos os labirintos da intimidade da província. Estudioso da biografia de um dos mais conhecidos publicitários de Alagoas, o falecido Arlindo Chagas, Moreira nos brindou com curioso e saboroso relato da atividade extra-curricular do multifacetado Chagas. O ano não vem ao caso. CSA e CRB se preparavam para mais um enfrentamento. Num clima de guerra, a CBF escalou um árbitro especial para dirigir o encontro. Com a confiança abalada por duas derrotas sucessivas, Chagas, na condição de conselheiro do Azulão, teria telefonado para a casa do árbitro, no Rio de Janeiro. Identificando-se como presidente do Regatas, insinuaria que seu clube estava disposto a recompensá-lo se as coisas fossem facilitadas. Indignado, o cara virou bicho. Injuriado pela proposta, o homem de preto contribuiu como pode para derrotar o CRB. Ao marcar um pênalti duvidoso a favor do CSA, deu o recado ao inconseqüente dirigente para nunca mais ousar comprar árbitro por telefone. Ainda sobre o publicitário Chagas, o folclore político alagoano registra que durante a primeira gestão do governador Divaldo Suruagy havia um colegiado de notáveis que se reunia quase todas as noites nos Martírios, para discutir os rumos do governo e as fofocas das ruas, com ênfase para o segundo item. Além de Chagas, outro que tinha vaga garantida era Hélio Miranda, um dos maiores papos que esta Alagoas já produziu. Coincidência ou não, as gestões de Suruagy que tiveram a colaboração informal de Chagas e Miranda foram as mais profícuas. Cada governo tem os auxiliares que pode e merece. Nosso Lula, que no íntimo deve ser um homem bom, puro, honesto e bem-intencionado, tem sido infeliz nas escolhas. Seus auxiliares, sem que ele saiba de nada, vivem aprontando. As últimas traquinagens são os desmantelos com os cartões de crédito. E que venha o Lobão! (*) É médico e professor da Ufal.