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Opinião

Diante da imensid�o que nos fascina

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| Dom Antonio, O. Carm * O tempo presente como realidade que nos inquieta e interpela. ?Não vos conformeis com este mundo...? (Rm. 12,2). Adentrar-se no deserto, através de uma experiência de Deus, é dispor o coração para esvaziar-se de tudo que não é Deus. A própria condição física do deserto, de per si, já nos esvazia. Diante de sua imensidão que nos fascina, experimentamos a incapacidade de nos dirigir, de determinarmos nossa própria trilha. Somos pouco a pouco levados à consciência de que nada podemos fazer sem um auxílio necessário. Necessitamos conhecer as leis do deserto para nos aventurarmos nele. Ele se nos apresenta sempre mais forte e poderoso. Há um amém que deve ser pronunciado à vontade de Deus no chão da fé, como ponto de partida para nossa aventura no deserto. Nele experimentamos o nosso nada, e todas as falsas seguranças começam a perder sua consistência. Também as falsas imagens que temos de Deus e aquelas que fazemos de nós mesmos e da realidade, começam a se diluir. Lembremo-nos do encontro de Elias com Deus no Monte Horeb, no coração do deserto. (1Rs. 19, 9-14). Ele é levado a livrar-se de idéias pré-concebidas de Deus e da realidade e, ao encontro com o totalmente outro, reconstrói-se a si mesmo e é impelido a tocar a vida no ritmo de Deus. No deserto, Deus não pode ser manipulado, Ele se nos revela na eterna surpresa de sua presença e nos proporciona a capacidade de refazermos as imagens pré-concebidas que temos sobre Ele e nos abrirmos corajosamente para o novo que nos espera. O esvaziamento que o deserto provoca em nós, conduz-nos a uma nova e surpreendente visão da realidade e da história. Começamos a enxergar o mundo com os olhos de Deus. Nossa relação com Deus, com os nossos semelhantes e com as coisas criadas adquire uma nova dinâmica: experimentamos o amor misericordioso de Deus para conosco e nos tornamos mais humanos e amorosos em nossas relações com todo ser humano criado à imagem e semelhança de Deus. O deserto exerce o poder de dar consistência aos ideais e atitudes que sustentam a nossa vida, proporcionando-nos a capacidade de respondermos aos apelos e desafios que a realidade com a qual interagimos nos impõe. É sobre esta fundamental experiência da vida espiritual que devemos continuar refletindo, neste nosso ano missionário arquidiocesano. Continuaremos aprofundando este tema. (*) É arcebispo metropolitano de Maceió.

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