loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Cinzas, ap�s o carnaval

Ouvir
Compartilhar

| José Medeiros * É fácil encontrar as cores branca e preta, difícil é a cor cinza. A cor branca, clara, translúcida, nenhuma relação parece ter com o carnaval. A preta, sim. A mais sombria de todas as cores lembra a sensação de imprevisto, de algo diferente do habitual. Seja de quem desce acompanhando um bloco nas ladeiras de Olinda ou participa de shows musicais, locais, que se adentram pela madrugada, com exibição exagerada de gestos, doses de álcool acima do controle dos sentidos e com beijos e abraços inesperados de estranhos. A cor cinza, antes de significar as cinzas da penitência da quarta-feira, engloba os que, prudentemente, fogem do carnaval e que preferem a tranqüilidade à agitação, a serenidade aos sons estridentes dos trios elétricos, o aprazível do campo ou do mar, que bem substituem a folia dos carnavalescos durante esse período. Quem não tem uma história para contar na Quarta-feira de Cinzas? Reunido, um grupo de amigos, lembrou um carnaval da década de 1960, cheio de surpresas e decepções. Eles são amigos de longa data, amizade alicerçada na confiança, num chão sob o qual a gente pode pisar sem receios. Lembraram o ?corso? de carros alegóricos, desfile de automóveis enfeitados com serpentinas que, nessa época, era um dos pontos altos do carnaval de Maceió. Mulheres e homens fantasiados usavam seus lança-perfumes de agradável cheiro que ficava no ar. De repente... Ezequiel, um dos amigos, resolveu atravessar a rua e foi atropelado. Os carros pararam... amigos socorreram-no e deitaram-no na calçada. Um extenso corte na testa sangrava abundantemente. Com um lenço, fizeram compressão, tentando parar o sangramento. Felizmente, Ezequiel escapou sem maiores conseqüências. Então, surgiu algo inesperado. Um bêbedo tropeça no grupo e um corpo pesado desaba sobre os que davam assistência ao acidentado. Na confusão para retirar o corpo estranho, o bêbedo resolveu reagir e uma briga inesperada se inicia. Repentinamente, a polícia chega: o bêbedo tenta explicar, os guardas não quiseram conversa, e lá se vão todos à delegacia da Rua do Macena. O delegado, magro e feioso, bigode farto, olhos frios e indiferentes, escravo do dever, nada fala, prefere ouvir. Os rapazes explicam o acontecido. O bêbedo tenta falar, mas o delegado o impede: cale-se! Momentos de silêncio... O alcoólatra que provocou a briga foi punido, recebendo o veredicto do implacável delegado: ?vai ficar no xilindró até a Quarta-feira de Cinzas?. (*) É médico e ex-Secretário de Saúde e de Educação.

Relacionadas