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| Mario Jucá * No meio do caminho tinha uma pedra, disse Drummond. Digo: tem uma pedra ainda no caminho. Não é possível que a situação que se atravessa no quadro político social, não seja visto como uma pedra no caminho. Uma pedra caída de grande penhasco. Não se vê o outro lado da estrada. Parou. Não há horizontes. Quem está na academia se sente desmotivado pela falta do sistema de saúde pública claudicante e agonizando. Nada funciona adequadamente. As instituições fragilizadas e sem controle. Abutres esperando o barco afundar mais, pois assim pode ser que se retorne ao rouba mas faz, ou continue o estado de desvios protegidos, como algumas auditorias recentes. Vê-se greve aqui, ali e alhures. Negociações escassas, até porque falta liderança. Algozes se abraçam esperando a próxima operação desenterra gato. Tem-se que buscar mobilizações populares. Não se pode recriminar as greves, mas apoiar algumas foge ao respeito a si mesmo. Imaginem um professor em último nível da carreira universitária federal ganhando uns R$ 3.700,00 (três mil e setecentos reais), enquanto o delegado pede R$ 17.000,00, pessoa formada por nós na academia, porém nós somos uns cretinos, que não sabem se valorizar, mas quando fazemos greve a sociedade começa de forma subliminar e perversa com propagadinhas, ?faça um curso que você começa e sabe quando termina?. Como se algum dia a universidade federal tivesse prejudicado um ano letivo inteiro por greve. Tem uma pedra no meio do caminho. Esta pedra é a forma de eleição que estamos tendo, que há indícios de irregularidades e camuflam as investigações. Agora, querem incutir que a saúde só tem jeito com mais impostos. Covardes articuladores, bandidos de um sistema político que esfola e apedreja o povo. Bandido um dia, mocinho no outro, basta que se assista a TV. Tem uma pedra no caminho dos alagoanos, que só colocam seus indicadores como os piores do mundo. Alagoas está no fundo do poço, não sei como qualquer empresa ou grupo empresarial sério propõe colocar alguma coisa aqui, tendo Natal e até Sergipe oferecendo condições melhores. Realmente tem uma pedra, a pedra da corrupção, a pedra da desonestidade, a pedra da impunidade, a pedra que rola vidas, a pedra que violenta crianças, a pedra que mata no pronto socorro, a pedra que mergulha na lama os que pretendem estudar. A pior de todas as pedras a da violência que assola, desmoraliza os poderes e ameaça os cidadãos. Tem uma Pedra! (*) É médico e professor da Ufal.

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