Opinião
A pol�cia n�o � o �nico rem�dio
| J. Heleno Santos * Não obstante a sabedoria do povo, o entendimento coletivo pode ser induzido ao erro, tal qual é o caso da segurança pública. Não raro somos levados a crer que a mera ação de pôr a polícia nas ruas basta para aplacar a violência. É prematuro imaginar que a polícia, por mais bem equipada que seja, atenda, sozinha, à demanda por segurança. A questão, por ser sistêmica, não se encerra na ação policial, embora seja esta importante e, diga-se aqui, venha sendo realizada com eficiência pela PMAL. Porém, há mais fatores em jogo, pois a atividade policial, por si só, não resolve o problema do crime. Para que o roteiro da ação punitiva do Estado tenha começo, meio e fim, outros atores devem entrar em cena. É simples: a polícia combate o crime, mas não manipula todas as fórmulas capazes de preveni-lo e evitá-lo. Apostar apenas na polícia é atacar os sintomas mais visíveis. As causas, em geral ocultas, continuam vivas, fortalecidas pela falta de educação de qualidade e para todos, pelo desemprego e desqualificação da mão-de-obra, pela miséria que vitima crianças e jovens e por uma brutal e desumana concentração de renda, além de outras. A violência também conta com incentivos, como as brechas na lei para se escapar da cadeia, as penas brandas, a demora nos julgamentos. Falando em cadeia, nosso sistema prisional parece obra de ficção; as fugas, em vez de exceção, são a regra; os presos são flagrados com drogas, armas e celulares. Aliás, não se deve dizer ?preso?, mas ?reeducando?. Não é bonito? Por fim, todos aplaudem um Estado duro nas ações policiais contra o crime. Pedem mais presença policial. Esquecem de pedir, paralelamente, políticas públicas indispensáveis. Focando a solução do problema na polícia ignoram-se as demais ações estatais. Aliviar os sintomas pode ser bom, desde que não se esqueça um detalhe: o que mata mesmo é a doença, para a qual a polícia não é a única indicação profilática. (*) É sargento da PMAL.