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Opinião

O tocador de tuba

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| Marcos Davi Melo * Quando saímos de Maceió para passar o carnaval em Recife, o clima era de elevada insegurança em relação ao que poderia acontecer no período momesco; além da longa greve da Polícia Civil, os delegados, achando pouco, ameaçavam também entrar em greve. Diante do que poderia acontecer de agravamento da situação de segurança pública, já então terrível, muita gente deixou nossa capital, por temor do pior. Isto talvez explique o alto número de conterrâneos que encontramos na capital pernambucana, embora a cada ano cresça o contingente de alagoanos que se dirigem para Recife. O carnaval pernambucano está a cada ano melhor. Já na sexta-feira ao amanhecer, irrompe o bloco Clube dos Rapazes Inocentes ( CRI ) de Boa Viagem, que reúne a turma da terceira idade. Muitos idosos fantasiados, brincando como crianças, ocupando a orla ao som da Frevioca. No sábado o gigantesco Galo da Madrugada, que aumentou muito o seu percurso pela Rua Imperial. Sempre me impressiono com a extraordinária multidão, que as 17 horas só tinha registrado dez ocorrências policiais, nenhuma muito grave. No Recife Antigo, o deslumbre dos maracatus rurais e urbanos, dos blocos líricos, acompanhados por multidões que não param de cantar as suas lindas canções. Nas ladeiras de Olinda encontramos muitos colegas fantasiados, brincando descontraidamente no calor escaldante, que torna o nosso Pinto da Madrugada um suave refresco. Na terça-feira, durante o desfile dos bonecos gigantes, já tinha um folião com uma placa onde se lia: ?Calma, só faltam 181 dias!?. Um tocador de tuba, de uma de suas orquestras, naquele desgastante sobe e desce das ladeiras, perde cerca de 6 quilos e ganha apenas 70 reais por 5 horas de intenso sacrifício físico. Retornando a Maceió, felizmente para a sociedade, o governo do Estado tinha tomado medidas que evitaram que a situação da segurança pública explodisse. Todavia, os grevistas da Polícia Civil ameaçavam fechar as delegacias e soltar os marginais. Assim, estariam cometendo crimes, não o combatendo, como é a sua função; na prática, uma radical ameaça contra a sociedade, já muito traumatizada e penalizada com a insegurança. A sensação predominante na comunidade é que as greves do setor público já extrapolaram todos os limites. Pelo que se sabe, os servidores públicos, mesmo o Estado sendo um dos mais pobres da União, não recebem salários inferiores aos de outros Estados que estão em situação muito melhor. É indispensável ter bom senso e equilíbrio. (*) É médico e professor da Uncisal.

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