Opinião
Fraternidade e defesa da vida Escolhe, pois, a vida!
| Dom Antonio Muniz * Igreja, neste tempo de Quaresma, coloca no centro de sua reflexão e missão a defesa da vida: É a Campanha da Fraternidade! Espero que este tempo singular possa mexer conosco, inquietar nossos corações e nos despertar para uma atitude de co-responsabilidade na defesa da vida e compromisso com a verdade. Que, juntos, como Igreja, possamos reencontrar o potencial transformador que está intrinsecamente presente em nossa missão, quando acolhemos, vivemos, testemunhamos e anunciamos o Evangelho da Vida. A Igreja no Brasil, com a Campanha da Fraternidade que há pouco iniciamos, lança-nos mais uma vez diante do apelo do Deus da Aliança, e nos convoca a fazermos uma escolha pela vida, diante da cultura da morte e seus mecanismos; incita-nos a recuperarmos a força de convocação e testemunho de nossa fé, conscientes da urgente necessidade de um engajamento efetivo, no qual palavra e ação se encontram e se tornam profecia e anúncio do valor inalienável da vida humana. Acolher esta convocação da Igreja, neste momento crucial de nossa história, é responsabilidade de todos nós cristãos batizados. A firmeza de nossa fé e de nosso testemunho em favor da vida, utilizando todos os meios e recursos humanos e espirituais que dispomos é capaz de deter a marcha, minimizar e anular o poder da ?conspiração anti-vida? que, centrada no individualismo, no utilitarismo e no hedonismo, nega os direitos inerentes da pessoa e produz um sistema que destitui de valor os indefesos e constrói ?uma cultura da morte e da exclusão, que se amplia e vai atingindo todos os desfavorecidos, pois todos eles parecem cada vez mais descartáveis na sociedade?. A Igreja, consciente de sua missão de anunciadora do evangelho da vida, coloca-se de forma lúcida diante das ameaças que minam a dignidade da vida da vida humana em todas as suas dimensões e manifestações e, iluminada pela palavra sagrada, pela sua presença e ação na história e pela voz de seus intrépidos profetas, propõe-nos um lúcido discernimento entre os caminhos da vida e da morte, a fim de que a ação dos cristãos possa gerar oásis de experiência e difusão de iniciativas que promovem e defendem a dignidade da vida, desde a sua geração até o seu natural declínio. Estas experiências não somente atuam como antídoto à lógica da morte presente em nossa cultura, mas também propõe para o ser humano a possibilidade de uma nova ordem através do engajamento e do empenho de todos os batizados na transformação das estruturas injustas e na construção do novo onde a justiça, a fraternidade, a paz e a solidariedade se encontram e dançam em ritmo harmonizado na celebração da festa da vida bem vivida que é dom de Deus para todos e direito inalienável de cada ser humano. (*) É arcebispo metropolitano de Maceió.