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Opinião

Mais uma escorregadela do governo

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| Lysette Lyra * Perdoem-me os meus leitores que são fãs de crônicas de viagem, mas meus dedos estão comichando para opinar nos últimos acontecimentos políticos que, mais uma vez, deixaram estarrecidos os brasileiros. Logo voltarei com elas. Temos presenciado, de alguns anos para cá, as mais esdrúxulas histórias de corrupção em nossos governos. Deixam-nos boquiabertos! Parece até que estamos assistindo a um dos filmes de gangues famosas, como as de Al Capone e outras. É simplesmente inacreditável a ausência de medidas governamentais diante de tais acontecimentos! Essa máfia que se instalou no governo, proclama um falso populismo. Parte dela é oriunda de um partido que seguia uma esquerda radical que finge não gostar do conforto e da riqueza, somente enquanto não pode por as mãos no dinheiro. São poucas, as exceções entre os parlamentares e figuras proeminentes na administração. A lista dos grandes escândalos registrados nesses úiltimos governos é inacreditável! Houve os ?Anões do Congresso?, o grupo do ?Mensalão?, o juiz Lalau, os ?Gabirus?, os ?Taturana?, etc, etc. Agora, são os atrativos cartões corporativos, distribuídos entre ministros, funcionários públicos, do mais alto escalão e, até, aos numerosos seguranças do governo e dos seus familiares. São a mais nova marmelada da República! A desculpa é que serviriam para pagar despesas imprevistas decorrentes do exercício do cargo, principalmente em viagens. As repartições públicas, também, os usariam para compras que não exigissem licitação, com muito mais flexibilidade. Tudo é, até, admissível, porém, como sempre, a fiscalização das contas administrativas não existe e os desastres acontecem. Alguns dos agraciados com os referidos cartões ingressaram na ?habitué? tramóia e usaram os mesmos para pagar restaurantes finos, férias em hotéis de luxo, artigos em free shop, etc. Uma verdadeira farra com o dinheiro público. Dos 78 milhões gastos em 2007, apenas 25%, foram apurados, sendo que 58 milhões de reais foram sacados, em dinheiro, dos caixas eletrônicos. Inclusive os custos das casas do presidente eram saldados com esse aparelho financeiro. Foi encontrada uma lista imensa de compras domésticas, adquiridas nos mais finos provedores do País, feitas por funcionários do Planalto. A ministra Matilde Ribeiro, diante da festança que fez com o cartão, deixou o cargo, mas recebeu de Lula uma carta de ?boas referências?. Como sempre, depois das mamatas descobertas, o presidente usou uma alocução moralizadora e decretou a averiguação das contas dos ministros esbanjadores. (*) É escritora.

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