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Opinião

Campanha da Fraternidade em Defesa da Vida

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| Dom Fernando Iório * A Igreja do Brasil, como vem fazendo, desde 1964, já iniciou, nesta Quaresma, de 2008, mais uma Campanha da Fraternidade com o tema ?Fraternidade e Defesa da Vida? e o lema ?Escolhe, pois a vida?. A vida humana é sagrada, porque, desde a origem encerra a ação criadora de Deus. Só Deus é o dono da vida, do começo ao fim. Na verdade, a vida vai muito além de mim. Eu não a tenho, mas ela me tem e dispõe de mim, antes mesmo que dela eu disponha em profusão. A vida goteja no orvalho da manhã, sussurra na brisa da tarde, encanta na beleza da natureza e nos enternece nos nossos animais de estimação. A vida está acima, abaixo, dentro, fora, perto, longe, no micro e no macrocosmo. Entretanto, o mistério da vida torna-se fascinante e digno até mesmo de nossa veneração, quando a mãe grávida já sente o compasso do seu coração ajustar-se com o ritmo do coração do seu bebê. Também o pai, nesse momento, percebe que existe uma fascinante realidade muito maior do que ele. Existe ali um mistério no qual sua existência e seu viver se agigantam e se apequenam, ao mesmo tempo. Não é o homem e a mulher que geram a vida. São instrumentos para que esse mistério seja colhido numa existência particular e eterna, querida e amada, mormente, pelo Senhor da vida. Ninguém é dono ou proprietário da vida: nem a mãe, nem o pai, nem a família, nem o Estado, ninguém! Só a vida possui a vida. A nós cabe a tarefa de oferecer condições para possibilitar, para cultivar, para fazer crescer e desabrochar a vida que precisa viver. Nenhuma vida existe que não mereça viver. Por isso mesmo, se eu não sou dono da vida, como me posso arrogar a ser dono da vida dos outros? Se assim é, não há situação alguma que justifique a interrupção de uma vida iniciada. Muitas vidas, hoje fecundas, não existiriam se a elas, no passado, fossem aplicadas as razões alegadas, hoje, para interrompê-las pelo aborto. A propalada política da saúde para justificar a legalização do aborto usa o processo da quantificação financeira. Não sei se posso chorar pelo pai ou pela mãe que não souberam acolher o mistério da vida ou pelo Estado que quantificou tão grande mistério da vida aos ditames da economia. Vamos cultivar a vida é o que nos pede a Campanha da fraternidade ? 2008: ?Não Matarás? (Ex.20,13). (*) É bispo emérito de Palmeira dos Índios e membro da Academia Alagoana de Letras.

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