Opinião
O pr�-sal de Alagoas (final)
| Evilásio de Cerqueira * Acreditamos que podemos reivindicar junto à Petrobras uma presença mais operativa em Alagoas, através do governo alagoano, congressistas, associações de classe, etc, embasado em estudos técnicos consistentes, que demonstrem as nossas vantagens locacionais e comparativas em relação ao pré-sal das bacias do Sudeste. Essas vantagens locacionais decorrem de investimentos e custos operacionais bem menores nas pesquisas, suprimentos, perfuração, extração e disponibilidade (bombeamento para áreas de acumulação e tancagem), em virtude do pré-sal daquelas bacias situar-se entre 5000 a 7000 metros de profundidade (aqui entre 1000 a 1500), em alto mar, distante a mais de 200 km do litoral, com lâmina d?água de 2000 a 3000 metros e todos problemas decorrentes de fortes ventos, tempestades, correntes marítimas, custos exagerados das plataformas marítimas e dutos de tecnologia complexas, condições difíceis de trabalho com alto risco e complexa logística de suprimento. Em função dessas dificuldades, a Petrobras, em anúncio no dia 23 de janeiro, informou que está estudando a possibilidade de construir no campo de Júpiter (gás natural) uma grande termoelétrica em alto mar (290 km do litoral) e transmitir a energia elétrica gerada para o continente através de cabos submarinos ao invés de transportar por dutos o gás a ser produzido. Na bacia Alagoas/Sergipe, predominantemente (principalmente em Alagoas), os poços estão situados em terra firme e as ocorrências em mar (principalmente em Sergipe) situam-se próximos ao litoral, com lâmina d?água inferior a 500 metros. Por outro lado, segundo o informe da Petrobras sobre o sucesso do campo de Tupi, que pela primeira vez foi atingida a camada pré-sal. Conclui-se então que suas perfurações foram sempre realizadas no pós-sal, inclusive em Alagoas. Com a presença efetiva e operacional da Petrobras no pré-sal alagoano e caso nossas premissas se mostrarem verdadeiras no que diz respeito às nossas vantagens locacionais e comparativas, tudo leva a crê que Alagoas será um dos grandes produtores de petróleo leve (alto valor comercial) e gás natural do Brasil, com expressivo retorno econômico e financeiro para a própria empresa e para o nosso Estado, com reflexo altamente positivo para população alagoana. (*) É economista e professor da Ufal.