Opinião
Mudan�as de rumo? - Editorial
Depois de um ano de continuado desgaste, o secretário da Defesa Social deixa o posto. Após seis meses de greve, os policiais civis admitem voltar ao trabalho. Novidades, sem dúvida, na área da segurança pública alagoana. Tudo resolvido, portanto? Não. Estes são fatos importantes, mas é muito cedo, ou muita ingenuidade, afirmar que começamos a resolver nossos graves problemas na segurança pública. Um primeiro problema, que muito prejudicou a (pífia) gestão do até ontem secretário de Defesa Social de Alagoas é a divisão das polícias em grupos estanques e rivais; e, neste universo conflituoso, é nociva a decisão política de limitar a liberdade do titular da secretaria em escalar livremente seu time (o que significa dizer que o titular pode, sem mais delongas, substituir qualquer membro da própria equipe). Não basta permutar o secretário, é necessário que o conceito de autoridade neste segmento seja reforçado, especialmente nesta área extremamente delicada, naturalmente explosiva. A realidade dos policiais civis é outro problema ainda em busca de solução. A greve ao se espalhar por mais de seis meses, com indefensáveis demonstrações de insubordinação e baderna, revelam duas coisas que precisam ser mudadas: são necessárias melhorias nas condições de trabalho dos policiais (salários, equipamentos, etc.), assim como é indispensável que os poderes constituídos sejam respeitados como tal (uma greve, por mais meritória que seja, não pode afrontar a autoridade da Lei e as determinações da Justiça). Mais questões em aberto: qual é mesmo a estratégia para a segurança pública alagoana? Quais são os planos de ação? Quais metas estão definidas e em quanto tempo tentaremos alcançá-las? Estamos diante de fatos que podem vir a ser positivos. Depende de um conjunto de decisões que precisam ser tomadas agora.