Opinião
O mundo em alerta m�ximo
| José Medeiros * Se voltarmos nosso olhar para a história do mundo, veremos muitos alertas acerca da forma pouco sábia com a qual a humanidade tem conduzido sua existência. Se isso for feito por meio da visão religiosa, podemos apresentar o grande exemplo do dilúvio, que objetivou fazer uma grande limpeza nas iniqüidades dos homens. Se olharmos pela história da ciência, não precisaremos ir muito longe e teremos, aos nossos olhos, as questões do aquecimento global. O alerta dos cientistas sobre esse problema e suas conseqüências, que, há poucos anos, mobilizavam somente ambientalistas e órgãos técnicos; hoje, tornou-se um tema que diz respeito a toda humanidade. A preocupação com as mudanças climáticas está presente no discurso político, nos planos de negócios dos empresários e até virando ?marketing? para a promoção cada vez maior de celebridades do mundo todo, já que os estudos mais recentes apontam para uma mudança extremamente severa na temperatura do planeta. Primeiro, para que não haja mal-entendidos, é importante esclarecer que o efeito estufa é benéfico para a Terra. Aliás, é essa estufa gigante que permite a vida na superfície do planeta. Sem ela, a temperatura seria bem mais fria, inviabilizando a existência de inúmeras espécies. Agora, o que é maléfico, de fato, é o aumento desse efeito, que segundo as pesquisas tem sido provocado pela emissão de alguns gases. Por outras palavras, as atividades humanas que requerem a queima de combustíveis fósseis e o desmatamento são as principais causas de emissões de gases que provocam o aumento do efeito estufa. No entanto, uma coisa me incomoda profundamente, nessa discussão: parece sobrar poucas atividades no modelo de produção que adotamos nessa sociedade, que não exija tais emissões de gases. Dessa forma, não adianta ?espernearmos? em torno dessa discussão sem refletirmos sobre o modo como vivemos, onde o ter tornou-se mais importante que o ser. Consumir tornou-se palavra de ordem em nossa sociedade, não importando o quanto mais de combustíveis fósseis tenhamos que queimar, desmatamentos tenhamos que fazer, para produzir mais carros, móveis, roupas, celulares... De nada adianta ficar apenas jogando lixo no lugar certo, quando isso é apenas uma atitude obrigatória de boas maneiras. A reflexão exige mais coragem e pulso firme para mudar coisas muito mais complexas. Vivemos um novo alerta, seja bíblico ou científico, o que importa mesmo é que mais uma vez corremos perigo de morte, em massa. (*) É médico e ex-secretário de Educação e de Saúde.