Opinião
� doje mainha!
| Alari Romariz Torres * Vejo contente e sem rancor, a imprensa publicando os escândalos que envolvem a Casa de Tavares Bastos. Entrei na Assembléia com 18 anos, como interina. Dois anos depois surgiu um concurso e incentivada por meu pai, criei coragem e fiz as provas. Foi o meu primeiro teste como funcionária do Legislativo. Vivi fora de Alagoas em dois períodos por conta da profissão do meu marido, mas sempre de acordo com a lei, trabalhando em repartições federais, estaduais e municipais. Em 1984, voltei a Maceió e a trabalhar na Assembléia. Em 1989 a Constituição nos deu o direito de criar o Sindicato dos Funcionários e lutar pelos direitos dos companheiros. Sindicalista, percebi algumas anomalias. Entre elas ?o enxerto na folha de pagamentos?, ou seja, a famigerada ?folha 108?. Chegamos a um duodécimo de 5,7 milhões de reais e a um total de 5.000 servidores. Uma excrescência! Não adiantava gritar, denunciar, escrever artigos em jornais; tudo continuava acontecendo ao arrepio da lei. Acabou-se, então, a publicação de atos de nomeação, apostilhas de promoção, requerimento e pagamento de férias, enfim, os direitos legais inexistiam. Quando reclamávamos aos dirigentes, escutávamos: ?Procurem a Justiça?. Servíamos de chacota por lutar pela legalidade dos atos. Obtivemos poucas vitórias judiciais, mas, com o passar do tempo, a influência dos dirigentes do Legislativo proporcionava o retardamento ou o arquivamento dos nossos processos. Tudo para não aumentar o valor da folha. E o duodécimo aumentava a cada mês. Outra etapa perigosa: os empréstimos sob consignação. Percebíamos que pessoas alheias aos quadros eram beneficiadas. Fizemos várias denúncias e não obtivemos respostas. Grave, também, era a concessão de benefícios sem amparo, ?de boca?. Por mais que requerêssemos oficialmente, era melhor para eles, concederem ?por baixo do pano?, tentando alijar os representantes dos servidores. Era comum os dirigentes não fornecerem informações à Justiça ou fornecê-las de modo errado e deturpado. Com isto, os servidores se desiludiram e o sindicato foi perdendo a força, pois nem as causas ganhas na Justiça eram respeitadas. Sinto-me na obrigação de dizer ao povo alagoano que, com exceção do problema da Receita Federal, desconhecido por nós, tudo foi denunciado. É uma pena a lei anistiar os dirigentes anteriores a 2001; o modo errado de conduzir os destinos da Assembléia Legislativa vem dos idos de 1990. Aí a 108 começou. É d?oje mainha! (*) Presidiu o Sindicato dos Funcionários da ALE de 1995 a 2001.