Opinião
Pr�-hist�ria de hoje - Editorial
Desde a antiguidade, os objetos remanescentes do passado remoto, além de serem reconhecidos como detentores de valor cultural, também ? pelo menos para os povos mais sábios ? são valorizados por sua capacidade de gerar renda. Esta valorização se estende desde os negócios cotidianos com antiguidades até empreendimentos de porte, destinados a atrair turistas e estudiosos. César, por volta do ano 48 a.C., ao chamar a atenção de seus soldados para o fato de que do alto das pirâmides, 40 séculos estavam a contemplar o exército mais poderoso de sua época, estava dando uma lição à posteridade. Bárbaros, os ?conquistadores? do novo mundo destruíram tesouros extraordinários. Só para citar um caso, eliminaram todos os vestígios da espetacular Tenochtitlan, capital do Império Asteca, em 1521 (onde hoje se encontra a Cidade do México). Há muitas décadas, felizmente, esses valores passaram a ser novamente reconhecidos. Relíquias de civilizações do passado e até fósseis de eras anteriores aos humanos têm sido alvo de acirradas disputas internacionais. O Brasil tem perdido muito espaço nessa área e, especialmente, Alagoas sofre prejuízos além da conta com seus acervos históricos e pré-históricos. Um exemplo disso está numa das matérias editadas ontem na Gazeta de Alagoas. Um agricultor sertanejo, tentando ampliar um açude, topou com ossos de animais pré-históricos. A novidade é que, neste episódio, o cidadão contou com alguma orientação. Mas, além das informações recebidas de uma ONG, o que será feito em relação ao acervo paleontológico descoberto? Existe alguma chance do sítio em questão ser devidamente estudado? Infelizmente, parece que ainda vivemos uma pré-história neste campo, ignorando a importância dos milênios que estão a nos contemplar nesses achados.