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Doce � a �gua

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| Álvaro Menezes * Quem tem tido a oportunidade de viajar pela Zona da Mata nordestina nos últimos cinco anos pode observar que no meio da paisagem de belos canaviais despontam canhões de aspersão e até pivôs centrais irrigando com água de rios, riachos e barragens, vastas extensões de plantação de cana-de-açúcar. Chama atenção ainda verificar que os horários adotados para tal irrigação normalmente confundem-se com o dito ?sol a pino? e que, não raro, a superfície do solo está inundada ou, como é fato também, trechos de rodovias são lavados. O discutível incentivo do governo federal ao uso do álcool como combustível vem fazendo com que plantar e moer cana voltem a ser negócios atrativos, principalmente para os Estados do Nordeste que já viveram um dia o apogeu dos engenhos e usinas, levando assim à busca de novas áreas para o plantio da cana-de-açúcar e o aumento da produtividade, com riscos para um ambiente já significativamente degradado. Nesta mesma Zona da Mata nordestina estão localizadas grandes cidades, as capitais dos Estados que cada dia incham mais e as cidades litorâneas com todo seu apelo turístico e ambiental. A maior parte delas sofre com a falta de água e a escassez de mananciais, caracterizando não apenas a ineficiência dos governos na implantação de obras de infra-estrutura, mas também a má gestão dos serviços de saneamento estaduais e municipais que enfrentam um dia-a-dia de manobras para abastecer as populações dessas cidades e, como poucas possuem sistema de esgotamento sanitário capazes de atender as necessidades das suas populações, são também poluidores indiretos dos recursos hídricos. As áreas urbanas na Zona da Mata nordestina concorrem hoje com as plantações de cana-de-açúcar para ver com quem ficará a água que restar nas bacias hidrográficas da região, após o uso sem controle decorrente da ausência de ações ativas dos Estados em geral na gestão de recursos hídricos. A questão não passa pela proibição do uso de mananciais para este ou aquele fim. Na verdade, é cada vez mais urgente que os Estados do Nordeste, em sua maioria, assumam e implantem a gestão de recursos hídricos e todas as ações decorrentes dela, para que se defina com clareza quanto e quem pode usar a água de determinado manancial, de modo a que se garanta o desenvolvimento socioeconômico que, ao final, beneficiará a todos: ao homem e ao meio ambiente. (*) É diretor comercial da Casal.

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