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Opinião

O mundo coberto de penas

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| Wagner Williams * O mesmo ?anel de ferro? citado pelo crítico literário Antonio Candido, em 50 anos de Vidas Secas ? que na obra do eminente Graciliano Ramos (1892-1953) em questão, é uma composição de episódios onde o último toca o primeiro, numa opressão anelar dos personagens ? também está aqui. Isso porquanto a emancipação desta terra se deu por meio da violência e com a violência hoje nos deparamos, como que no desdobramento desse anel de ferro, em que o presente sádico toca o passado agressivo sem ter fim. Quarto Estado brasileiro mais violento, com 800 homicídios em 2007, sendo 30% das vítimas jovens de 14 a 22 anos com uma média de 3 assassinatos por dia ? um aumento de 38% em relação a 2006, Alagoas alaga-se em sangue por conseqüência de sua mais nova lástima, o império do tráfico de drogas. São nesses tempos aziagos que os nordestinos daqui observam amedrontados as ?arribações? pairantes, tal qual Fabiano e Sinhá Vitória espiaram em Vidas Secas. Verdadeiros abutres, os traficantes têm assistido de seus galhos à mortandade de um povo do bem. Este, passivo e lançado ao acaso qual retirantes no ermo do Sertão, padece na escassez da segurança e na opulência da impunidade, por não haver pena para os ?soldados amarelos? do narcotráfico. Em meio a tudo isso, a polícia pena para desbaratar o tráfico; por outro lado, o tráfico depena o civil. E com essas penas sobrevoam as ?arribações? a grasnar o terror. Alvo desses abutres, crianças agora passaram a protagonizar episódios macabros nesta região, com latrocínio por moda, enforcamento em orelhão, estrangulamento, assassinato a pauladas, juras de morte. É a pureza da infância violada pelos narcóticos como sintoma de uma sociedade em extrema crise e destruída pela barbárie. No entanto quero exprimir que me importo com os meus conterrâneos e com a sua dor, representando aqui a voz dos passivos e lançados ao acaso a fazer o mínimo daquilo que o nosso governo não fez às famílias dessas crianças: um sinto muito pelo que lhes aconteceu! Porque é uma pena esse círculo de violência parecer sem saída, tornando o mundo coberto de penas. (*) É estudante de Letras da Ufal.

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