Opinião
A melhor alternativa
| Geoberto Espírito Santo * Alguns cientistas acreditam que o aquecimento global é parte de um processo histórico de esfriamento/aquecimento da Terra, mas a maioria reconhece que o agravamento é função da Revolução Industrial. A sofisticação das sociedades humanas tornou necessário um maior suprimento de energia que, independente da fonte, provoca impactos ambientais. As energias renováveis são ditas limpas porque não emitem CO2. Entretanto, para fazer as pás das turbinas eólicas se usa plástico e a energia de produção a ele agregada. Para instalar energia solar temos as placas que utilizam vários materiais e a energia empregada para produzi-las. A contabilidade energética deve ser feita desde a retirada do energético bruto (energia primária), passa pelos centros de transformação, perdas nos processos, até chegarmos à utilização (energia secundária). Da térmica a carvão ao uso final em uma indústria o rendimento energético é de 9%. Da hidrelétrica ao chuveiro elétrico a eficiência é de 4%. A proporção da energia de um combustível que chega às rodas de um veículo é de 13%. Em média, 67% de toda a energia são perdidos durante sua conversão pelas atividades humanas. A geração de energia emite anualmente 12,2 Gt equivalente de CO2. É a atividade que mais emite, com um percentual de 24,9%, seguida da indústria com 9,5% e da queima de florestas com 8,5 %. A temperatura média global, até o fim do século, pode ir até 5,8ºC. Áreas de 2.000 km² por ano podem ser transformadas em deserto devido à falta de chuvas. Caso a temperatura suba de 2ºC a 3ºC, podem desaparecer 40% das árvores da Amazônia. As informações disponíveis são insuficientes para decidir qual o nível máximo de concentração de gases estufa pode ser tolerado. Os modelos de soluções para o aquecimento estão muito distantes da realidade porque as previsões locais são imprecisas em relação às globais. A civilização é movida à energia e não podemos, simplesmente, desligá-la. O petróleo prevalece no sistema energético porque maximiza lucros e concentra os meios de produção. O mesmo acontece com o carvão e o gás. A competitividade da biomassa, energia solar, eólica e nuclear é pequena por causa dos altos investimentos. Levando-se em conta que é baixo o rendimento na produção de energia, a tendência de aumento do consumo e que a adoção de novas tecnologias não é suficiente para reduzir as emissões, a melhor alternativa é a eliminação do desperdício e a melhoria no rendimento energético. (*) É professor da Ufal.