Opinião
O caminho filos�fico
| Dom Fernando Iório * Não são poucos. Muitos não acreditam na Filosofia. Têm-na como delirante pensar no vazio. Mormente, hoje, quando, para tantos, saber é informar-se. Em outras palavras, tornou-se a informação a exuberante fonte do conhecer. Ao contrário do que se pensa, a informação caduca, tornando o conhecimento informático superficial, transitório, agônico. O conhecer filosófico, ao contrário, marca o princípio do rigor racional como método para obtenção do verdadeiro saber. A característica da Filosofia é a reflexão cética sobre toda e qualquer realidade, no intuito de apreendê-la para além de sua imediata aparência. Embora, por demais, amplo, permitindo transformar qualquer realidade em objeto de estudo, não é o conhecimento filosófico produzido na ingenuidade. Tudo porque é, metodologicamente, orientado com endereço certo. Orientador da reflexão filosófica, o método dedutivo organiza o raciocínio, de sorte que tudo quanto se expressa já está contemplado na premissa básica ou premissa maior. Por tentar explicar todas as coisas, está sujeito o conhecimento filosófico a cometer enganos, porque se expressa, de forma geral, alheio, por vezes, às situações particulares. À propósito, não deixa o conhecer filosófico de emitir concepções diversas sobre um mesmo objeto de pesquisa. Se há várias formas de pensar o mesmo objeto, não deixa de haver várias Filosofias. É assim que o pensar filosófico expressa a maturidade do raciocínio humano. É o esforço para organizar e sistematizar conhecimentos, até então, desencontrados ou expressos em outra ordem alheia ao raciocínio convincente. O conhecer filosófico fomenta inúmeras hipóteses para a ciência, oferecendo explicações prévias aos mais diversos fenômenos que a ciência, pelo seu enquadramento metodológico, não consegue estudar. Tem ainda a Filosofia o papel de interpretar o uso do conhecimento científico, em se referindo à Ética, à Epistemologia, à Ontologia... De certa maneira, ciência e Filosofia, necessitam uma da outra. Completam-se. Não produzem conhecimentos antagônicos. Tanto é assim que a ciência, sem base filosófica, é estéril, não se sustenta. Perguntássemos, porventura: que é a ciência? A resposta não viria da ciência, senão da Filosofia. Cabe, portanto, à Filosofia a responsabilidade de definir as ciências e de questionar o mundo, resgatando-o do marasmo em que se encontra. (*) É bispo emérito de Palmeira dos Índios e membro da Academia Alagoana de Letras.