Opinião
Continuando nossa visita ao Ir�
| Lysette Lyra * Não só de vitórias viveu a Pérsia. Perdeu dos helenos na célebre batalha de Maratona, nas chamadas Guerras Médicas; os romanos, também, estenderam suas conquistas à Pérsia; os hunos brancos, igualmente, dominaram o país enfraquecido, exigindo enormes tributos. O império ficou debilitado por várias revoltas, mas o golpe final foi dado por Alexandre em 323 dC, tendo incorporado ao seu poder toda a Ásia Menor. Os turcos, os árabes e os mongóis, em diferentes épocas, subjugaram essa nação que fora tão forte e próspera no passado. Os penúltimos aí implantaram o islamismo e a incorporaram ao califado. Devido a sua longa e agitada história, que começou há mais de mil anos aC., em que dominou e foi dominada, a Pérsia possui muitas presenças étnicas, sobressaindo-se, porém, a dos xiítas e sunitas. Na época moderna o país teve seu nome mudado para Irã. Começou a dinastia dos Rajas que encontraram um país totalmente desorganizado. Os ingleses e russos, haviam se instalado na nação e até que a ajudaram em alguns setores, embora fossem realmente estimulados pela cobiça. O petróleo havia sido descoberto. Em 1921, depois da saída dos estrangeiros, houve uma rebelião da brigada cossáca que levou ao poder Reza Khan. Durante a Segunda Guerra Mundial, dada a simpatia do Xá pelos alemães, os britânicos e soviéticos ocuparam o país. Em 1941 Reza Khan, ante a pressão popular, foi obrigado a deixar o Irã e abdicar em favor de seu filho Moamed Reza Pahlavi. Depois de um período de turbulência, aconteceu a nacionalização do petróleo, em 1951, fato decisivo. Foi obra do primeiro ministro Mossadegh. Nesse tempo, o Xá conseguiu realizar a chamada Revolução Branca, destinada a impetrar a melhor distribuição de terras, a erradicação do analfabetismo, secularizar a educação, melhorar as comunicações, conceder maior direito às mulheres. O seu principal aliado, nesse período, foi os Estados Unidos da América. Os recursos do petróleo foram empregados, em parte, nas indústrias. Porém, mal controlado, patrocinou a inflação e a corrupção administrativa. A crise econômica e politizante do Xá acirrou a aversão dos mujtahids, militantes religiosos, conduzidos pelo aitolá Ruhollah Khomeini, do exílio. Diante da coação pública, o Xá, ameaçado de morte, deixou o Irã em janeiro de 1979, com toda família. Em abril do mesmo ano, Khomeini, já no poder, declarou a República Islâmica. Sua política se abalizou na aplicação rigorosa das leis do Alcorão. (*) É escritora.