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A sa�de e a escola

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| José Medeiros * Leio, em jornais, a notícia de que as escolas públicas serão inseridas em ações de prevenção, controle e combate à dengue, num movimento integrado que incluirá campanhas, palestras e oficinas, envolvendo as Secretarias de Saúde e de Educação do Estado e do município. Há dois enfoques a salientar na notícia divulgada. Primeiro, a importância da reunião do Estado e do município numa ação conjunta de combate a essa doença, que é crônica e, a cada ano, atinge maior número de pessoas. Segundo, o aproveitamento da escola num trabalho de conscientização, formação e possível divulgação que os alunos levarão às suas famílias. Lembro-me bem, que há cerca de dois anos, no Rio de Janeiro, enquanto a cidade era atingida por uma extensa epidemia que fazia vítimas e destruía preciosas vidas humanas ? discutia-se, sem concordância, a quem cabia a responsabilidade do trabalho de combate à epidemia: Estado, município ou União. Enquanto discutiam e trocavam insultos, no Rio de Janeiro, o inseto atacava e aproveitava a inércia decorrente dessas antagônicas opiniões. Que eu saiba, o mosquito não traz nas asas uma placa com o nome de quem deve combatê-lo. Vale lembrar: vivemos numa sociedade que não ouve os apelos mais profundos do coração humano para que a vida tenha sentido acima de quaisquer fogueiras de vaidades pessoais ou coletivas. O SUS, cuja filosofia é altamente significativa, pois prega a universalidade e a igualdade de atendimento para todos, teve um defeito de origem que nunca foi corrigido: o indispensável financiamento. Desde o início de sua execução, os recursos sempre foram menores que as necessidades do desempenho na ponta do sistema, onde faltam condições mínimas de trabalho. Por duas vezes, perdeu-se a oportunidade de corrigir esse defeito: quando o Dr. Adib Jatene idealizou a CPMF, totalmente destinada à saúde; e, recentemente, quando o governo, somente no último dia, manifestou o propósito de aplicar o dinheiro do ?imposto do cheque? nas atividades da saúde pública. Um milhão de pessoas são atendidas, diariamente, pelo SUS. Pela contagem dos entendidos no assunto, somente quarenta e dois milhões de brasileiros possuem plano de saúde; assim, cabe ao Sistema Unificado de Saúde, a responsabilidade do atendimento de cento e trinta milhões de usuários, que dele necessitam. Pensando bem, a escola pode contribuir decisivamente em questões de saúde. Fator importante de esperança de vida. (*) É médico e ex-Secretário de Saúde e de Educação.

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