Opinião
Leituras iluminadas
| Gilberto de Macedo * São leituras que, uma vez percebidas, tornam-se inesquecíveis. Estão sempre aflorando à mente quando menos se espera. É que são reveladoras de uma verdade, de um grande sentimento, ou seja, de uma bondosa intenção. Reflexo de uma inteligência brilhante, de uma afetividade pura, de uma consciência limpa. Leituras da autoria de notáveis homens: de artistas criativos, de cientistas dedicados, de filósofos profundos. Verdadeiros grandes homens. Leituras para todas as idades. Na infância, as estórias inocentes e alegres que fazem os sonhos dos meninos, nos prelúdios do adormecer. Assim, por exemplo, ?A gata Borralheira?, ?Zeca tatu?, ?A Bela e a fera?, ?Mandrake?, e tantos outros. Na adolescência, o começo do romantismo dourado: ?Romeu e Julieta?, ?Cleópatra?, ?Olhai os Lírios do Campo?, e demais, com envolvimento poético do lirismo de todos os tempos: Cecília Meirelles, Pablo Neruda, Jorge de Lima, etc. Na fase adulta, a consolidação da inteligência para as grandezas dos conhecimentos. Leituras que são lições que ficam para sempre. Lições aprendidas em qualquer tempo, como experiências grandiosas, inesquecíveis. Assim ainda estudante, na Universidade Federal de Pernambuco, tantos anos atrás, tivemos ricas oportunidades, em diversas áreas do saber, como acontecia àquela época, na comunidade universitária. Chega-nos à memória viva, por exemplo, logo a leitura do genial arquiteto Le Corbusier em suas célebres exortações aos estudantes (?Mensagem aos estudantes de Arquitetura?, Edição Francesa, Paris, Minuit, 1957), dizendo: ?O que fica das empresas humanas é o que comove?. Sim, a indiferença é efêmera, não percebe o valor nas coisas, não se sensibiliza, por isso é fugaz, não permanece na existência humana. Não tem sentido. Nada que seja alheio tem qualquer valor humano, esvai-se logo que acontece. E disse ainda que, ?... a arquitetura é um ato de amor?. É da própria essência da beleza, já que a arquitetura é arte ? ser referente a esse maior sentimento humano. Engrandece-nos. Outra iluminante oportunidade, é oferecida pelo brilhante filósofo inglês, dos tempos atuais que, em seu livro sobre a análise da mente (?The Analysis of mind?, Londres, ed. G. Allen and Unwin, 1971), encanta-nos dizendo que ?O sol representa a verdade da ciência, cujo objetivo é o de conhecer, não apenas as aparências e as sombras, mas principalmente o ser verdadeiro?. (*) É médico.