Opinião
Escolhe, pois, a vida!
| Dom Antonio Muniz Fernandes, O. Carm. * Reconciliai-vos com Deus: eis o tempo favorável, eis o dia da Salvação! Todos nós vivemos neste de santo tempo da Quaresma com espírito e com o coração sinceramente abertos para o Senhor, que nos revela o seu incondicional amor e a sua imensa ternura para com a vida de todo ser humano. Deus jamais abandonará a obra de suas mãos, que somos nós suas amadas criaturas. A sua compaixão atinge a cada um de nós. Neste tempo da quaresma, como o maravilhoso tema da Campanha da Fraternidade, queremos dizer juntos e sempre: sim à vida e não a todas as modalidades de morte e de desrespeito à vida humana. Como é rico este tema e como é abençoada esta Campanha da Fraternidade 2008! A Igreja, consciente de sua missão de anunciadora do evangelho da vida, coloca-se de forma lúcida diante das ameaças que minam a dignidade da vida, da vida humana em todas as suas dimensões e manifestações e, iluminada pela palavra sagrada, pela sua presença e ação na história e pela voz de seus intrépidos profetas, propõe-nos um lúcido discernimento entre os caminhos da vida e da morte, a fim de que a ação dos cristãos unidos possa gerar oásis de experiência e difusão de iniciativas que promovam e defendam a dignidade da vida humana, desde a sua geração até o seu natural declínio sobre a Terra. Estas experiências não somente atuam como antídoto à lógica da morte presente em nossa cultura, mas também propõe para o ser humano a possibilidade de uma nova ordem através do engajamento e do empenho de todos os batizados na transformação das estruturas injustas e na construção do novo onde a justiça, a fraternidade, a paz e a solidariedade se encontram e dançam em ritmo harmonizado na celebração da festa da vida bem vivida que é dom de Deus para todos e direito inalienável de cada ser humano. Tudo isto nos permite acolher a palavra e o testemunho de quem agiu e falou com autoridade em defesa da vida, os santos profetas de ontem e de hoje, que mesmo em meio aos medos, incoerências e inconsistências dos discípulos de Jesus, sustentaram viva a defesa e a promoção da dignidade da vida humana, suas palavras nos despertam do sono e nos permitem o sonho de um outro mundo possível e reacende em nós aquele ímpeto profético ? transformador que nos faz conscientes de nossa missão de construtores e defensores da vida no mundo. Acolhendo o ensinamento de Jesus, podemos gritar sem medo: ?Sim, eu escolho a vida!? (*) É arcebispo metropolitano de Maceió.