Opinião
Uma m�e e seu filho
Marcos Davi Melo* Sábado passado encontrei a colega Vera Tenório, ginecologista das mais respeitadas e admiradas de nosso Estado. Com o seu grupo de colegas das caminhadas nas manhãs da orla, estava comemorando o seu aniversário. Paradoxalmente, quando falou comigo, as lagrimas lhe escorriam pela face. Estava atônita, angustiada, quase desesperada, temendo pela vida de seu filho único, o dr. Rodrigo Tenório, jovem e brilhante procurador da República, cuja vida estava sendo ameaçada por marginais da mais baixa estirpe. Declarou-me que estava sem dormir a vários dias, perdera já alguns quilos e por ela o seu destemido filho já teria deixado Alagoas. Desajeitado e surpreso, tentei alivia-la: os marginais não teriam tamanha audácia para atingir uma autoridade da República, que é um exemplo para todos os alagoanos e principalmente para os mais jovens; um alentador sinal de que se pode viver decentemente e de que a nossa terra tem esperança. Não conheço o dr. Rodrigo Tenório, mas conheço a dra. Vera Tenório. É um exemplo do que possa existir de melhor na nossa Medicina. Em todos os sentidos. Ginecologista que atua no serviço público do SUS, o faz com assiduidade, extremo desvelo e dedicação às pacientes humildes. As muitas mulheres que já foram por ela salvas, fizeram com que o seu primoroso trabalho fosse reconhecido e premiado pelas autoridades do setor. O seu filho teve em sua mãe o melhor dos exemplos de como ser um cidadão digno, honesto e cumpridor de seus deveres. As ameaças ao Procurador dr. Rodrigo Tenório e ao juiz Federal dr. Rubens Canuto, por cumprirem o seu dever na luta contra a criminalidade, não são só ameaças a duas criteriosas autoridades, elas são não só intoleráveis ? uma mãe desesperada, como tantas outras, enquanto os marginais curtem cinicamente o resultado de sua pilhagem ?, como são ameaças contra toda a sociedade alagoana, que tanto precisa de pessoas como eles; jovens, honestos e corajosos; dispostos a ajudar nesta dificílima tarefa que é recuperar a nossa terra para as pessoas de bem, como o são a dra. Vera Tenório, o dr. Rodrigo Tenório e o dr. Rubens Canuto. A corrupção e o crime de mando em Alagoas, não são questões menores; o combate a estas mazelas é uma questão primordial para a sobrevivência de todos os homens e mulheres honestos, que respeitam as leis e aspiram um futuro menos negro para Alagoas. Ressalte-se e louve-se o corajoso e histórico empenho das entidade sociais, do Ministério Público e do presidente do TJ nesta luta, que é de todos nós. (*) É médico e professor da Uncisal.