Opinião
Inimigos do povo? - Editorial
Não há como não retornar ao delicado tema das reações às iniciativas policiais nas periferias. Conforme tem sido insistentemente alertado, está se repetindo em Maceió o ciclo vicioso que aprofundou a distância entre os poderes públicos e as populações das favelas no Rio de Janeiro e em São Paulo. O enredo é conhecido, desfiado há décadas nas grandes cidades: as favelas se espalham, os poderes públicos não as acompanham, não as assistem. Quanto mais e maiores favelas, mais se alarga o afastamento cotidiano dessas populações para com os poderes constituídos ? e o aparelho de Estado vai sendo substituído pela máquina do crime organizado. Nas metrópoles brasileiras, a história é a mesma. Cada favela tem o seu ?protetor?. Os perímetros de comercialização das drogas vão sendo definidos como o zoneamento urbano real, e dentro daquela área o chefe criminoso detém a chefia social, estabelecendo sua versão do bolsa-família, bolsa-saúde, vale-gás e outras ações assistenciais. Assassinos garantem segurança em suas áreas ? garantem que ninguém mata ninguém a não ser que alguém se volte contra a ?liderança? do pedaço. Estupradores proíbem estupros em sua área de proteção; ladrões asseguram que não serão roubados aqueles que lhes forem fiéis. E assim, pela força e pela ?proteção?, tomam conta de extensas áreas populacionais. Para se combater isso é necessário mais que polícia. Indispensável é a força policial, mas se a ela não for antecedida, e tornada permanente, a presença solidária do Estado, cada incursão das polícias será recebida à pedrada. Maceió ainda pode auferir resultados de uma política ampla e conseqüente de solidariedade, na área de segurança pública, às populações de baixa renda. Esta política tem de ser implementada com especial atenção nas já identificadas áreas de atuação do crime organizado. Ainda há tempo...