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O Complexo do Alem�o

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| Diógenes Dantas Filho * A partir da década de 1980, a cocaína fixou-se nas comunidades carentes do Rio de Janeiro e fez crescer o comércio clandestino de armas de guerra. A morte de Orlando da Conceição, o ?Orlando Jogador?, em 1994, que comandava o tráfico de drogas no Complexo do Alemão e um dos líderes da facção criminosa Comando Vermelho, marcou o agravamento da violência no município com a otimização das facções criminosas Terceiro Comando (Puro), Amigos dos Amigos (ADA) e do próprio Comando Vermelho (CV). Desde 2 de maio de 2007, o Estado tenta se fazer presente no Complexo do Alemão, no subúrbio do Rio de Janeiro, por meio da operação Cerco Amplo que já deixou mais de cem feridos e mortos. Apesar disto, o tráfico permanece com seus negócios excusos e criminosos. O Programa de Aceleração de Crescimento (PAC), lançado pelo governo federal, prevê aplicação de R$ 350 milhões em obras de saneamento e transporte teleférico para os 150 mil moradores do complexo e adjacências, que reúnem nada menos do que 11 favelas. A Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro prepara um forte aparato bélico, a fim de garantir o início do PAC. Para isso busca apoio logístico das Forças Armadas em fuzis, helicópteros, embarcações, equipamentos de telecomunicações, viaturas blindadas de transporte de pessoal (VBTP) e muita munição, para serem aplicados contra um oponente estimado em 300 traficantes armados com 150 fuzis e mais pistolas, revólveres e granadas. Depois do episódio da ocupação da siderúrgica de Volta Redonda pelo Exército, em 1988, o nosso ordenamento jurídico delimitou ainda mais a participação das Forças Armadas e o emprego dos seus meios bélicos na segurança pública contra brasileiros, principalmente os de bem. O Complexo do Alemão tem uma população de cidade pequena que clama por paz, mas que convive com meliantes homiziados naquele conjunto topotático, audaciosos, adestrados e com poder de combate que desafia a autoridade pública. O empreendimento policial em comunidade carente exige planos meticulosos tais como: tático operacional, de ações psicológicas, de atividades de inteligência e de logística, a qual dita a duração da operação, justamente um dos pontos fracos da Força Pública. (*) É doutor em Planejamento e Estudos Militares.

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