Opinião
Um poder � deriva - Editorial
Deveras preocupante é a crise que assola o Poder Legislativo alagoano. A cada dia, infelizmente, parece se aprofundar o caos instalado na Casa Tavares Bastos e ? por mais confuso que possa ser ? a própria Assembléia constrói o caminho para desfechos inusitados, como a intervenção. Nos dias em curso, a crise expandiu-se para além dos parlamentares envolvidos na chamada Operação Taturana e a própria questão do afastamento de membros da Mesa Diretora passa a ser secundário, diante da evidência de que a maioria esmagadora dos membros do legislativo alagoano dispõem-se a enfrentar a própria Justiça, afastando-se, deliberadamente, nessa contenda, de suas próprias funções. Ao implementar essa tática sistemática de ?matar? o plenário da Assembléia, provocando o efeito prático e insofismável da renúncia de suas funções legislativas, a ampla maioria dos parlamentares estaduais alagoanos mergulha mais fundo o Legislativo em sua própria crise, enquanto poder integrante e peça essencial do Estado Democrático de Direito. A paralisação das funções legislativas não terá como conseqüência a revogação das decisões judiciais e, muito menos, possibilitará recuos nas investigações e nos processos em curso. Essa imobilização do Poder Legislativo, pelo menos aos olhos da população, só serve para esgarçar ainda mais a instituição e, especialmente, tem como resultado imediato a transferência do desgaste individual sofrido por cada deputado envolvido no processo Taturana para os demais parlamentares que lhes estão sendo solidários. Nesta crise sem precedentes (no legislativo brasileiro), não existem soluções fáceis, nem cabem arrumações de bastidores. Muito menos é possível aceitar que o Estado vire refém de uma realidade insustentável. Deputados e deputadas deveriam rever suas posições, para o bem de Alagoas.