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Opinião

Liberem a 108

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Lacordaire afirmava que a história era rico tesouro das desonras do homem. Descrição que se encaixa no que vem acontecendo em nosso Estado, onde a pobreza e a falta de desenvolvimento, a falta de empregos e oportunidades para os jovens, mesmo os preparados com curso superior, é decorrência da ação predatória de lideranças que assumiram o comando das coisas públicas. Esta postura de hiena faminta, que se alimenta de restos em decomposição, pode ser sintetizada pela tal Folha 108 da ALE. Afiança insuspeita autoridade que conhece bem esta abominação, que ali constam mulheres de eminentes figuras de altas cortes institucionais, ex-mulheres de parlamentares, namoradas, parentes; todos pagos pelo contribuinte. É inadmissível que enquanto a maioria da população chafurdava na miséria, autoridades eleitas e estabelecidas para gerir a coisa pública e promover desenvolvimento, cuidassem apenas de interesses pessoais e fossem os maiores promotores do atraso; sendo totalmente insensíveis à imensa penúria que os cercava, entre os quais estavam muitos dos que votaram neles. Voltaire afirmou: ?A história não passa de um quadro dos crimes e dos infortúnios causados pelos poderosos?. Pois tudo que está sendo agora desvendado, poderia muito bem continuar escondido pela tolerância que tomou conta da sociedade. O Dr. Mendes de Barros, cuja atuação tem sido notável neste processo, afirmou que nada tinha feito a mais, apenas fizera a sua obrigação ? o que já é extraordinário. É forçoso se reconhecer que estas barbaridades só vieram à tona por conta da PF, especialmente o Dr. Luna, que nos piores momentos manteve sua posição firme em denunciar os verdadeiros culpados, dando inestimável força a todas as demais autoridades que se insurgiram contra a bandalheira. Luna não é alagoano, mas tem sido fundamental no incentivo aos filhos da terra para que cumpram com seu dever. A leniência com os maus costumes, infelizmente, é generalizada. Em Brasília, o presidente da Comissão de Ética, Marcílio Marques Moreira, afastou-se por se achar desencantado com a tolerância social, com a transgressão, o que é desanimador. Mas exige de todos nós que sobrevivemos trabalhando, temos responsabilidades e somos pais, a não acomodação e a resistência. Hoje, um clamor emana das ruas: por que não se divulga a famigerada folha 108? Afinal, além de tudo, a estas alturas muitos inocentes que não se envolveram nesta vil promiscuidade com o erário, muito gostariam que se separasse o joio do trigo. (*) É médico e professor da Uncisal.

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