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Patrim�nio vivo

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Além da continuidade da cascata de denúncias relativas ao Caso Taturana, a semana encerrada ontem foi marcada pela despedida de um dos ícones da cultura popular alagoana, mestre Venâncio. Saudemos, ao prantear a morte do cidadão Venâncio, a vida da cultura e das artes populares em Alagoas. Vida sofrida, vida de guerreiro, vida produtiva com ainda pouco reconhecimento. Infelizmente, as artes populares ainda não têm o reconhecimento merecido, mas é inegável o crescimento da busca pelas raízes artísticas do povo alagoano. Como tímido avanço positivo, artistas como Venâncio têm sido alvo de despedidas emocionadas, autênticas. Mesmo ainda precário, algum registro tem sido feito das artes desses mestres e mestras. Ao despedirmo-nos de alagoanos como Mestre Venâncio, devemos olhar em volta e reconhecer seus companheiros e companheiras de batalha que estão a seguir o secular caminho de manutenção e perpetuação das artes populares, do chamado autêntico folclore (cujas manifestações, nascidas no seio das camadas menos favorecidas, mantêm vínculos estreitos com a própria história desses segmentos sociais). Deve-se a Ranilson França, prematuramente morto, boa parte desses avanços, no sentido da identificação, do reconhecimento e da valorização desses mestres e mestras das artes e dos folguedos populares alagoanos. Ao lembrarmos o desaparecimento dessas personalidades marcantes da cultura alagoana, devemos não esquecer dos viventes, daqueles e daquelas que não se intimidam frente às dificuldades e que persistem em propagar suas artes e sua cultura. Melhor que chorar pelos nossos mortos é continuar-lhes as obras, é unir forças (entre iniciativa privada, governo e ONGs) para uma vida melhor e um maior reconhecimento a essas pessoas que são patrimônio vivo de Alagoas.

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