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Opinião

Dois dias intensos

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| José Maurício Brêda* Já no dia anterior sabia que os próximos seriam árduos. Lembrou ao motorista sua vinda mais cedo. Às seis horas, banhou-se, leu os jornais, tomou café, telefonemas intercalados, e não foram poucos, e estava pronto para sua labuta diária. Geralmente ocupava apenas o primeiro horário, das 8 às 12 horas. Mas aquele não seria um dia como os outros. Tinha algo em mente. Armado de sua ?espingarda?, como chama a inseparável bengala, foi juntar sua ?Tropa de Elite? da Casa dos Imortais ? diretores, secretária, engenheiros, arquitetas ? para, em mostrando o feito, já tentar tirar proveito para a continuidade do projeto. Sim, porque aguardava para aquele dia a agente do órgão que financiara a recuperação da ?Casa do Poeta?. Toda a manhã foi curta para tantas providências. Quase não almoçou de tamanha ansiedade. Iria ele mesmo esperá-la no aeroporto. Foi-lhe dito que houvera atraso no vôo, poderia descansar um pouco e só fosse às 17 horas. Mas, às 16 horas, quando se desceu ao quarto andar, em seu apartamento, já lá não estava. Amigos com quem encontrou preencheram sua longa expectativa que só terminou após as 18 horas. Recepcionada, conduziu-a ao hotel, voltando, célere, para novo banho, jantar, trocar o ?liforme?, como diz, rumando para a ?Casa dos Discursos?, a fim de ?imortalizar? seu colega, em solenidade longa, mas que não o quedou. Chegado as primeiras horas da madrugada, já às seis, pronto, questionou se o motorista estaria a postos. Foi buscar a quem poderia trazer-lhe esperanças e levou-a para ver sua obra. Como nunca se acostumou a dormir sobre os louros da vitória, não estava pensando neles e sim na expectativa de que aquela realização lhe servisse de crédito para uma segunda empreitada: o ?Anexo da Casa do Poeta?. Se, em algumas derrotas, sempre respondeu com vitórias retumbantes, não seria com o sucesso, embora os quase nove decênios e meio, que iria parar. Queria mais, pois sabia que o tempo urgia. Pena que seu esforço hercúleo, nesses dois intensos dias, tenha-lhe sido caro. Sua saúde de ferro foi corroída. Mas sua bengala criou rodas, seu olhar não está vago, está focado em outros sonhos que ainda não nos contou, mas que, garanto, pelos 44 anos de convivência, se tornarão realidade, e virão tão fortes quanto seu Centro Educacional, seus hospitais, suas escolas, seus ambulatórios, suas maternidades, ainda mais agora, guiados pelo facho dos lampiões do poeta a quem devolveu a casa. Assim espero, Doutor Ib! (*) É bacharel em Economia.

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