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Opinião

Um tour por Teer�

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Estávamos ansiosos para conhecer a cidade que se anunciava muito interessante, através dos prédios descortinados, da janela de nosso quarto. O exotismo dos países orientais, seus costumes, a arquitetura, o artesanato ancestral, tem aquele aspecto, sempre inusitado, que nos causa grande curiosidade. Apressamo-nos em ganhar as ruas! Uma guia, inteligente e culta, foi nos contando a história desse povo, enquanto nos levava ao Museu Arqueológico Iran Bastan. Aí encontramos a mais completa coleção do mundo da Aquemênida e de arte islâmica. Já conhecíamos alguns exemplares da arte persa, existentes no museu do Louvre, em Paris. Em seguida visitamos o Banco Melli, onde nos abismamos com a beleza do diamante Mar de Luz, com o assombroso conjunto de pedras preciosas e com as jóias da coroa. Há móveis folheados a ouro, inclusive o trono do Pavão Dourado, saqueado dos soberanos mongóis da Índia. Depois de visitarmos o museu de arte, onde vimos artesãos trabalhando ao vivo, nos dirigimos ao Palácio Gulistan, também chamado Jardim das Rosas, muito bonito e nos evoca as histórias de Mil e Uma Noites. Fomos, então, até o Masjed-i-Imam, um dos edifícios mais antigos de Teerã com seus muros desenhados em arabescos coloridos, e à Mesquita Masjed-i-Sepahsalar, de esguios minaretes e interior decorado no estilo islâmico. O que muito gostamos de visitar foi um dos seus inúmeros bazares, barulhento e fervilhando de gente. Vozes se misturavam com os pregões dos vendedores e se perdiam no meio da multidão. Quantas coisas diferentes espalhadas nos diversos balcões! Tudo exótico e belo nos convidava a consumir: jóias Alshahbah, em ouro esmaltado; colares de âmbar, e feitos em prata; tecidos; objetos de bronze; cerâmicas e alimentos. Um cheiro forte de carne assando embalsamava o ar. Vinha dos rústicos restaurantes, próximos. Eram os apreciados ?Kibobs? árabes, pedaços de carne enfiados nos espetos acebolados, entremeados de toucinho e assados na brasa. Fomos assistir a um espetáculo de danças populares no teatro. Antes de começar a performance, aparecia, na tela, o retrato do Xá com a esposa. Todos se levantavam e cantavam o hino. De ônibus visitamos o imenso e belo Mar Cáspio, onde se erguem suntuosas moradas de veraneio. Em suas margens férteis, ficam os pomares, cujos frutos exalam agradável perfume. Na última noite houve, no salão do hotel, um casamento. Aproximamo-nos, para bisbilhotar e acabamos convidados a participar, pela elegante mãe da noiva. Havia tido o jantar, depois só serviam frutas e vinho, enquanto dançavam: os homens por fora, numa roda em volta das mulheres, com os braços passados, um pelas costas do vizinho. (*) É escritora.

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